Sintonia fina

Votação de fundo aos municípios: tom ditado por Esmeraldo e plateia de sobra

Líder do governo, que nada! Quem chegou atropelando a discussão dos deputados para fechar logo a fatura do governo e dos prefeitos na sessão da tarde desta quarta-feira (24), que aprovou a destinação dos recursos do petróleo para os municípios, foi o emedebista José Esmeraldo (MDB). O assunto, apesar de controverso, nem bem havia começado a ser tratado no plenário e logo foi interrompido por Esmeraldo, em sintonia com Euclério Sampaio (DC), quem estava com a peteca na mão para conduzir a votação. No seu estilo habitual, Esmeraldo disse que apresentar emendas era “papo-furado e palhaçada”. O projeto deveria, pelo contrário, ser votado exatamente como enviado pela gestão Renato Casagrande e sem impor dificuldades (leia-se exigências de prestar contas da aplicação dos recursos) aos prefeitos, e pronto! E assim foi dali em diante, terminando com apenas dois votos contrários dos 28 deputados em plenário: Sergio Majeski (PSB) e Carlos Von (Avante), além de uma abstenção. Já a dupla que queria apresentar emendas e fez discurso antes, defendendo o pleito dos municípios mas apontando necessidades de mudanças no texto do projeto, Janete de Sá (PMN) e o delegado Lorenzo Pazolini (sem partido), não tiveram coragem de contrariar a plateia. Nesse ponto – só nesse - Esmeraldo estava certo: “tem deputando que faz média e na hora de votar corre do pau”.

Segue...
No caso de Janete, que apresentou duas emendas ao projeto, o voto foi sim. Já Pazolini se absteve, depois de defender três emendas. A postura do delegado virou alvo de ironia do líder do Governo, Enivaldos dos Anjos (PSD). “Depois disso tudo, não votou?”

Partida de futebol
Majeski foi o único a encarar a plateia, explicando seu voto contra o fundo. Recebeu vaiais, diga-se de passagem, totalmente inapropriadas para prefeitos e o plenário da Assembleia. Euclério Sampaio (DC) e Enivaldo criticaram a reação do grupo, com destaque para o líder do governo: “crianças de auditório”.  

Partida de futebol II
Do mesmo jeito, palmas ecoavam durante o discurso de José Esmeraldo, que falou exatamente tudo que os prefeitos queriam ouvir. “As prefeituras estão quebradas, fazer exigência em cima de quem já está com a água no nariz?”. 

Cada uma...
Peraí, né! Ser solidário à situação dos municípios é uma coisa, criticar a necessidade de prestação de contas sobre a aplicação dos recursos, que há anos não funciona como deveria, é outra completamente diferente. Dinheiro público, oras!

Cena
A propósito, o presidente da Assembleia, Erick Musso (PRB), criou todo esse clima para a presença dos prefeitos no plenário, etc. e tal, mas já poderia ter matado a questão semana passada, quando adiou o debate alegando “preocupação com a flexibilização” do projeto de Casagrande. Sei...

Cena II
O mesmo Erick apareceu mais de uma vez nos discursos dos deputados nas sessões desta quarta-feira, exaltando sua articulação tanto no projeto do fundo aos municípios como no que define as regras para promoções das PM e bombeiros. É confete atrás de confete.

Quero só ver...
O deputado estadual Vandinho Leite será capaz de tirar o PSDB do fundo do poço que se encontra desde o ano passado? Assim como apontavam as movimentações do mercado político, a chapa de consenso para a executiva estadual foi registrada nesta semana, com ele na cabeça. Missão árdua, hein!

Quero só ver II...
Vandinho é ligado a César Colnago, que responde pelas trapalhadas registradas no partido nas eleições de 2018, como sempre, para atender aos interesses do ex-governador Paulo Hartung e aliado antigo. Além da debandadas de quadros importantes e muitos desgastes internos, o partido pagou o preço, fez feio na disputa passada, e agora tem poucas peças para voltar ao jogo. 

Fica?
Vandinho é uma delas, assim como o prefeito de Vila Velha, Max Filho, os dois com projetos para 2020. A diferença é que Max assumiu a linha de tiro contra Colnago na última eleição da executiva estadual e ficou a um pé de deixar a legenda. Só não o fez porque foi obrigado a recuar da candidatura ao governo, após manobra de Hartung. Os dois aliados que apoiou em outubro de 2018, porém, foram para o Avante, com o seu apoio. 

PENSAMENTO:
“Quem pensa pouco, erra muito”. Leonardo da Vinci

Comente Aqui
Confirme seu comentário no e-mail em até 48 horas para mantê-lo ativo.
Atenção caros leitores, comentários com link não serão mais aceitos. Evite ser bloqueado.
0 Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Matérias Relacionadas

Nova Lei Rubem Braga é aprovada e edital de cultura pode sair em abril

Secretário Francisco Grijó afirmou que documentação está pronta; projeto irá liberar R$ 1 milhão

Que cena...

Pior do que as jogadas de Hartung, é assumir o papel de porta-voz, como fizeram Neucimar e Zé Carlinhos