Sobrecarga

Erick Musso vai passar ileso pela jogada que empurrou mais privilégios goela abaixo da população?

Os projetos aprovados a toque de caixa pelos deputados estaduais nessa terça-feira (16), véspera do recesso parlamentar, carimbaram a harmonia entre a Assembleia Legislativa e o Ministério Publico Estadual (MPES), conduzida pelas mãos do presidente da Mesa Diretora, Erick Musso (PRB), com o procurador-geral de Justiça, Eder Pontes. O primeiro se livrou de um problemão gerado por investigação do próprio MPES, ao aprovar projeto que isenta a Casa de produzir relatórios sobre os servidores que realizam atividades externas, muitos denunciados como “fantasmas”. O assunto, para quem não se lembra, voltou a gerar bate-rebate entre as instituições em março deste ano, mas as rusgas, como se vê, já “são águas passadas”. Eder Pontes, por sua vez, conseguiu aprovar um sonho antigo vetado no período Paulo Hartung, e sem qualquer dificuldade, apesar da previsão de inchaço da máquina pública com cargos comissionados - R$ 29,5 milhões por ano - que se traduzem em loteamentos políticos. Nada de fiscalização nos dois casos, fica instituído o famoso “liberou geral”, alvo de forte rejeição popular. Para Eder, que só tem aspiração de poder, objetivo concluído. Mas e o presidente da Assembleia, que está em plena construção de seu projeto de futuro? Embora tenha um discurso na ponta da língua para rebater as críticas, pode não passar ileso pela jogada que empurrou mais privilégios goela abaixo dos capixabas.

Sobrecarga II
Os projetos, como se sabe, foram aprovados pela maioria do plenário, mas a condução do processo coloca Erick na linha de frente. É ele também quem aparece na imprensa defendendo as medidas e a própria Assembleia. Os outros nomes estão na “encolha”.

Pode tudo
Além das questões que envolvem os cargos do MPES e os servidores da Assembleia, Erick aumenta, a cada dia, seu poder interno na Casa. Junto com o pacotão dessa terça, ganhou o direito de decidir sobre a criação de mais Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), importantes vitrines políticas. O regimento determinava seis simultâneas no máximo, agora ele é quem manda também no número.

Pode tudo II
Não tem muito tempo, o presidente da Assembleia passou a concentrar, sozinho, a assinatura de contratos e nomeações. A regra anterior exigia concordância de mais dois membros da Mesa Diretora.  

Em campo
Os movimentos somados de Erick vislumbram o cenário político futuro no Estado, subindo degrau por degrau, até chegar ao Palácio Anchieta. Parece longe, mas a estratégia é pra ontem.

Coerência
Por falar nisso, do grupo de oposição ao governador Renato Casagrande na Assembleia, só dois dos 10 integrantes bancaram a ausência no almoço oferecido aos deputados estaduais nesta quarta-feira (17): Lorenzo Pazolini (sem partido) e Vandinho Leite (PSDB).

Esquiva
Os outros dois foram o correligionário Sergio Majeski, que se coloca como independente na Casa, e Theodorico Ferraço (DEM), que rompeu com o governador após as últimas eleições. Esses, porém, teriam justificado as faltas, o que não muda muita coisa.

Vou mas volto
Na última sessão antes do recesso parlamentar, nesta quarta-feira (17), Enivaldo dos Anjos (PSD) cumpriu o anúncio e entregou o cargo de líder do governo. A decisão cumpre resolução de sua própria autoria que fixa validade de seis meses para a função. Não quer dizer, porém, que não possa voltar. Basta Casagrande pedir.

Vou mas volto II
A campanha pra que ele permaneça no cargo foi forte no plenário, com discursos elogiosos e agradecimentos dos deputados. Até que Alexandre Xambinho (Rede) lançou um “Fica, Enivaldo”.

PENSAMENTO:
“A multidão é um monstro sem cabeça”. Charles Chaplin

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