Suport denuncia medidas de sucateamento da Codesa visando privatização

Exemplos são abandono da segurança, cortes de horas extras, demissões e inutilização de prédios históricos

“Corte de horas extras, demissões, abandono da segurança e inutilização dos prédios históricos da Codesa [Companhia Docas do Espírito Santo] são algumas das ações desse plano de privatização em curso, que pretende ser exemplo para o País”. A afirmação é do presidente do Sindicato Unificado da Orla Portuária (Suport-ES), Ernani Pereira Pinto, em resposta a fatos narrados em uma denúncia anônima recebida por este Século Diário sob o título “Codesa entregue aos ratos (políticos)”. 

O texto anônimo situa a Companhia capixaba como uma das mais rentáveis do Brasil e com capacidade muito além da exercitada, por isso, as ações de sucateamento seriam necessárias para não contrariar a afirmação do presidente Jair Bolsonaro, de que apenas as empresas públicas deficitárias seriam privatizadas. 

Nessa esteira, contratos têm tido, propositalmente, seus prazos vencidos sem a adoção de medidas para as devidas renovações ou substituições de prestadores de serviços. Exemplos estão nos de linhas telefônicas, que não foram renovados, impedindo até mesmo que funcionários consigam falar com o setor de Recursos Humanos, e no contrato de pessoal para limpeza e manutenção do cais de Vitória e do cais de Capuba, que sofreu corte de 90%, favorecendo a invasão desses lugares por criminosos interessados em furtar cabos de energia. 

A Guarda Portuária também vem sofrendo com a precariedade das condições de trabalho, bem como o descaso com a segurança física e mental dos mesmos, ressalta a denúncia. “Mesmo com um concurso em aberto, em que dinheiro público foi empregado, a diretoria resiste em convocar os aprovados para ocuparem seus cargos na categoria extremamente defasada”.

Sobre o plano de segurança, os números atuais mostram que ele não vem sendo cumprido no quesito de efetivo mínimo nos dois cais: apenas cinco guardas, no máximo, são escalados em Vitória e apenas nove cuidam da vigilância de toda área do porto de Capuaba.

Para o Suport-ES, o atual presidente da Codesa, Julio Castiglioni, assumiu seu mandado em março de 2019 com o objetivo de “preparar o terreno” para a privatização. E que, antes mesmo do início dessa gestão, o Suport-ES vinha debatendo a entrega do patrimônio público aos empresários, juntamente com os trabalhadores, operadores portuários, parlamentares e sociedade em geral. 

Desde 2017, ações que podem ser citadas com esse objetivo são o ato público “Abraço ao Porto” e um fórum realizado em Vitória em 2018. Consta ainda uma viagem a Brasília para cobrar do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), e de demais parlamentares a participação dos trabalhadores no processo, além de reuniões com vereadores, prefeituras, bancada capixaba, deputados estaduais e setores interessados.

Em 2019, o assunto foi levado aos estados e o debate de encerramento foi realizado na Capital, em dezembro, em um evento com lideranças de todo o país. 

“A direção da Codesa foi convidada a participar dos eventos, mas nunca esteve presente, diferentemente do que acontece quando recebe convite de empresários do setor para falar sobre a privatização”, critica o presidente do Suport-ES. Mesmo diante de tantos esforços, expõe o sindicalista, o governo federal tem dado prioridade e aberto todos os espaços possíveis para que a gestão da Codesa seja voltada totalmente para um plano de “enxugamento” de custos, dando toda a autonomia aos gestores para tomarem decisões, muitas que recaem diretamente sobre os trabalhadores. 

Essa “independência”, ressalva Ernani, “é bem diferente do que acontece quando o assunto é fechamento de Acordo Coletivo, pois o governo federal chega a levar meses para simplesmente autorizar o que já está negociado e acordado entre empresa e sindicato”. 

A contradição também se mostra no que a denúncia chama de “seletividade da economia empregada”, pois, ao mesmo tempo em que realiza cortes em setores essenciais da administração da Codesa, a gestão da Companhia decide alugar um andar inteiro num prédio luxuoso na Enseada do Suá para exercer suas atividades, desconsiderando o gasto com o aluguel e abrindo mão dos seus prédios, que sempre atenderam às necessidades.

“O descaso dos gestores com a classe trabalhadora, infelizmente, tem dificultado a ação dos sindicatos, mas isso não fará com que a categoria deixe de lutar”, assegura o presidente do Suport-ES. 

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