TCE em foco

Enquanto Assembleia tenta afastar divisões, Casagrande mantém abertas as portas do Palácio Anchieta

Enquanto a Assembleia Legislativa se concentrou nesta quarta-feira (13) em tentar apagar os efeitos do impasse registrado em plenário na sessão passada e que expôs as divisões internas decorrentes da disputa pela vaga que será aberta no Tribunal de Contas (TCE), o governador Renato Casagrande mantém abertas as portas do Palácio Anchieta para articulações. No caso dos deputados, foi acionado o conhecido corporativismo, para afastar qualquer tentativa de reduzir o tamanho de Marcelo Santos (PDT), candidato do presidente Erick Musso (PRB) à cadeira de Valci Ferreira. Se a sessão de terça havia culminado com a saída de 13 dos 19 partidos do “blocão” comandando pelo pedetista, a desta quarta foi marcada pelo retorno de 10 deles, com direito a frases de união e apoio à liderança exercida pelo parlamentar. Já do lado do governo, os comentários de bastidores são de que Casagrande tem realizado encontros intensivos com os deputados. Os últimos a passar por lá foram os integrantes da maior bancada da Assembleia, o PSL. As conversas giram em torno de concessões e alianças, em troca do voto no aliado de longa data e presidente do PSB no Estado, Luiz Carlos Ciciliotti. Apesar do comandante do PSL capixaba, Carlos Manato, vez ou outra cutucar o governador, a adesão do bloco ao projeto palaciano atenderia, também, à meta de Manato de derrubar o grupo de Erick, com quem rompeu durante as divisões das comissões, apontando quebra de compromisso. Se Casagrande lograr êxito, só aí seriam quatro votos. Mas, ó, como sugerem os envolvidos, não tem disputa deflagrada para o TCE não, tá? É cada uma...

Rasteira
A bronca de Manato é que Erick teve apoio do PSL para sua candidatura à reeleição, com a garantia de que entregaria ao partido a presidência da Comissão de Segurança e a primeira vice-presidência. O primeiro ponto foi cumprido, com a escalação de Danilo Bahiense, já o segundo, não. Era pra ficar com Torino Marques e acabou permanecendo nas mãos de Marcelo.

‘Menor lado’
A propósito, em meio ao debate dessa terça referente ao “blocão”, o próprio Erick fez questão de afirmar ao microfone: “A indicação de membros da CPI é na verdade o lado menor da discussão. Há o líder do governo [Enivaldo dos Anjos, PSD] querendo a dissolução do bloco e um grupo de partidos sua manutenção”. A divisão do plenário era óbvia, assim como a relação com a disputa ao TCE. Mas, aí...

Ah, a imprensa!
...menos de 24 horas depois, nada disso, imagina! Sem divisões, sem impasse, Casa unida, bloco sólido...e a culpa é da imprensa e suas “interpretações errôneas”. Que piada!

Mais uma rodada
Além dos deputados, Casagrande também mantém as portas do Palácio abertas para os vereadores. Depois dos representantes de Vila Velha, o governador se reuniu nesta quarta com os de Vitória, com a mesma pauta: interlocução para encaminhar as demandas do município.

Fora da foto
De novo, o encontro registrou uma ausência, mas segundo o governo, justificada. Não compareceu Roberto Martins (PTB), dos 15 vereadores da Capital.

Tranquilo, tranquilo
O secretário de Estado da Fazenda, Rogélio Pegoretti, já tem um encontro marcado com a Comissão de Finanças da Assembleia. No próximo dia 25, às 13 horas, para falar do cumprimento das metas fiscais do último quadrimestre de 2018, ainda governo de Paulo Hartung. Encontro sem previsão de qualquer turbulência. 

Especialista
Profissionais da área ambiental estão preocupados com as garantia dada por representantes da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) de que não há risco iminente de rompimento de barragens no Estado. É que a autarquia não teria ainda seu diretor de Infraestrutura Hídrica.

Palavras, apenas...
Por falar em barragens e riscos, a interdição da Vale em Vitória durou apenas seis dias. A prefeitura, que ameaçou fazer e acontecer depois de anos de mandato, acatou as promessas da mineradora, negligente histórica, de que resolveria o crime de poluir o mar e ainda reduziria as emissões de pó preto. Quem não conhece, que compre!

Palavras, apenas II...
A gestão de Luciano Rezende (PPS) avisa, porém, que manteve as multas que somam R$ 35 milhões. “Outra conversa pra boi dormir”: desde quando a Vale paga multas ambientais?

PENSAMENTO:
“Errar é humano. Culpar outra pessoa é política”. Hubert H. Humphrey

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