Teatro Carlos Gomes precisará de restauro e não tem previsão para reabrir

Construído em 1927, prédio vem passando por reformas paliativas e constantes nos últimos anos

Uma longa novela de fechamentos, reformas e reaberturas acompanha o Teatro Carlos Gomes nos últimos anos. Patrimônio histórico tombado e mais importante palco artístico do estado, o edifício deve permanecer fechado até passar por longas obras de restauro e ainda não há previsão de prazo para voltar a funcionar. Problemas elétricos e hidráulicos, infiltrações, vazamentos, queda do forro do teto do foyer (salão de acesso ao teatro), estão entre as questões a serem resolvidas.

Em janeiro do ano passado, foi anunciado o fechamento do teatro por um mês para reformas, mas o prazo se prolongou por 9 meses, voltando a reabrir para o Festival de Cinema de Vitória, com um sistema de ar-condicionado improvisado. Os reparos paliativos parecem não resolver a essência dos problemas de um prédio projetado em 1925 e finalizado em 1927, construído sobre uma região alagada, de muita umidade.

Em 2017, uma pane elétrica aconteceu em plena apresentação da Orquestra Sinfônica do Espírito Santo (Oses), que teve que ser cancelada por motivos de segurança. Em 2018, houve queda do teto quando, por sorte, não havia ninguém no local. Embora houvesse risco real de acidentes para público e funcionários, a pressão política fez com que o teatro fosse reaberto no segundo semestre para certas atividades de grande porte que fazem parte do calendário cultural anual e que recebem apoio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), como o Festival de Cinema de Vitória, Festival Nacional de Teatro e Festival de Música Erudita do Espírito Santo.

Vale lembrar que o Teatro Carlos Gomes sucedeu o Teatro Melpômene, primeiro de grande porte do Espírito, localizado nas mesmas imediações de onde hoje é a Praça Costa Pereira. Inaugurado no final do século 19, o Melpômene foi fechado nos anos 20 após um princípio de incêndio durante uma sessão de cinema, cujo pânico e corre-corre provocou a morte de duas pessoas e muitos outros feridos.

A expectativa com o restauro é que os problemas possam ser resolvidos de forma definitiva, o que pode demandar um longo tempo sem contar com o local para apresentações. Por medida de segurança, a Secult resolveu manter o local fechado e está em processo de licitação para contratação de uma empresa para realizar o projeto de restauro. Na última reunião do Conselho Estadual de Cultura, Vinícios Fábio, gerente de Espaços e Articulação Cultural da secretaria, garantiu que o teatro está “fechado mas não abandonado”, mantendo equipe de limpeza e de segurança e as políticas de combate a incêndio e outras, necessárias para a segurança.

Um conselheiro ligado à área de música levantou preocupação com os dois pianos de grande valor que se encontram no edifício, que poderiam apresentar problemas pelo desuso por longo tempo. A secretaria ainda estuda a manutenção ou transferência dos instrumentos do local.

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