Teia de interesses

Puxado por Euclério, Assembleia vira festival em defesa de prefeitos. Todo mundo atrás de garantir o seu

Vitória, Serra, Itapemirim, Brejetuba...câmaras de vereadores de diferentes municípios do Estado estão há dias e até meses em rota de colisão total com prefeitos. Em alguns casos houve afastamentos do cargo, outros não, mas todos resultam em desgastes políticos que podem ser irreversíveis para a disputa de 2020, cujas articulações começaram quentes e com antecedência. A crise de poder nas cidades, como não poderia deixar de ser, provoca reações na Assembleia Legislativa, com discursos de defesa ou ataque, a depender do grau de aliança com os envolvidos nas polêmicas. Começou a render com a briga em Itapemirim - que afastou o prefeito Thiago Peçanha (PSDB), depois mantido no cargo pela Justiça -, numa reação de Euclério Sampaio (sem partido), na semana passada, provocando imediatas manifestações de outros deputados. No mesmo dia, Peçanha acusou Theodorico Ferraço (DEM) de estar por trás do que chamou de manobra dos vereadores, o que levou o demista também ao plenário no dia seguinte, para apontar o dedo na direção oposta. Nessa terça-feira (4), Euclério de novo colocou Peçanha em foco, relatando ameaças contra o prefeito nas redes sociais. Marcos Mansur (PSDB) veio atrás, repetiu o apoio, e disse que também foi ameaçado. Pronto, daí em diante, foi outro festival em defesa de prefeitos e contra as câmaras. José Esmeraldo (MDB), Luciano Machado (PV), Hudson Leal (PRB), Mansur – mais uma vez – e Janete de Sá (PMN) criticaram o afastamento do prefeito de Brejetuba, João Lourenço (PV), revertido há poucos dias, alguns incluindo também Peçanha. De um lado ou do outro, a verdade é que está todo mundo atrás de garantir o seu, seja para as eleições do próximo ano, seja para 2022. Me engana...

‘Suave’
Em meio à lista de adjetivos de José Esmeraldo ao prefeito de Brejetuba, ele justifica a possível irregularidade que teria motivado a investigação e decisão da Câmara como “uma situação não muito democrática em épocas passadas, que nem é corrupção”. Ou seja, pra ele, bem suave atirar cinco vezes contra um protesto de caminheiros, como fez João Lourenço no ano passado.

Conveniências
Interessante nessa história é que a Assembleia, que é campeã em corporativismo e não aceita ter sua atuação questionada, acabou em cabo de guerra com outro poder legislativo, as câmaras municipais. 

Só o começo
Do jeito que as coisas seguem, já na direção de 2020, vem muito mais por aí. Muito mesmo!

Ideia fixa
O deputado estadual Capitão Assumção (PSL) está obcecado pelo presidente Jair Messias Bolsonaro - nome completo, como ele sempre faz questão de repetir. Todo dia de sessão na Assembleia tem discurso falando mil maravilhas das ações do correligionário. Incumbido desta missão pelo partido ou não, o fato é que já passou do ponto. O Espírito Santo tem muitos problemas, deputado!

Ai, ai...
Já Marcelo Santos (PDT), para defender a castração química de pedófilos, rasgou elogios ao ex-senador Magno Malta (PR) por sua atuação à frente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, que depois virou CPI dos Maus-Tratos a Crianças e Adolescentes. Coragem, hein! Uma atuação controversa, usada como palanque eleitoral e espetáculo durante anos, e que ainda condenou um inocente por um crime bárbaro contra a própria filha, detalhe: preso e torturado até perder a visão.

Tudo em casa
Que o senador Marcos do Val (PPS) defende as armas até debaixo d’água, zero novidade. Mas que ele chegou a organizar um prêmio patrocinado por empresas armamentistas em 2017, muita gente não sabia. A informação foi divulgado pelo jornal O Globo nessa terça-feira (4). O nome do prêmio: “Heróis Reais”. Patrocínios: Taurus e CBC, as fabricantes nacionais de armas e munições, respectivamente, e que lucrarão horrores com o decreto de Bolsonaro.

Tudo em casa II
O prêmio criado por Marcos do Val, como mostra o jornal, oferecia reconhecimento a policiais por “bravura” e “inovação”. Os vencedores ganharam uma viagem justamente à Taurus. Uma segunda edição para o ano de 2018 chegou a ser lançada, mas foi suspensa após o senador ter decidido entrar na política. 

Tudo em casa III
Apesar dessas relações pra lá de próximas, Do Val, que é relator de seis projetos no Senado para suspender o decreto de armas e já apresentou relatório em defesa da proposta que flexibiliza as regras para o porte e posse de armas, nega conflito de interesses. Ah, não tem não, imagina...

Folga prolongada
Na Semana do Meio Ambiente, uma “homenagem”: a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Licenças, da Assembleia, ficou sem se reunir pela terceira vez consecutiva. Requerimentos e mais requerimentos acumulados e prazo de conclusão dos trabalhos a perder de vista. A crítica é do presidente da Juntos-SOS Espírito Santo Ambiental, Eraylton Moreschi.

PENSAMENTO:
“A parte que ignoramos é muito maior que tudo quanto sabemos”. Platão

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