Tiros ao alvo

Após holofotes do fim de semana, Renato Casagrande volta à realidade: reações da PM e dos servidores

Nem tudo são flores como as comemorações desse final de semana que deixaram os holofotes políticos voltados para o governador Renato Casagrande e, depois de um longo castigo, o prefeito Luciano Rezende (Cidadania). Nesta segunda-feira (9), dois temas de áreas que têm assombrado o governador voltaram à pauta, com disparos em linha direta e reta. Um pela voz do deputado estadual Capitão Assumção (PSL), que fez mais um discurso contra a exclusão de militares afastados por licença médica dos quadros de promoção publicados pelo comando da PM. E, outro, pelas categorias que representam os servidores públicos do Estado e realizam o segundo ato contra a desvalorização do funcionalismo nesta quarta-feira (11), de novo, no Centro de Vitória. Em ambos os casos, o alvo é exatamente - e principalmente - Casagrande. Assumção colocou na conta dele “mais uma covardia contra os militares do Estado”, repetindo o “fantasma da perseguição iniciada no movimento de 2017”, e ainda se reportou ao Conselho Regional de Medicina (CRM) para dizer que o governo “jogou a formação dos médicos no lixo”, ao desconsiderar os atestados concedidos aos PMs. Já os servidores, que estão em estado de greve, além de reforçarem que o governador atua na “contramão do que pregou na campanha”, ameaçam “um apagão geral do funcionalismo”, que consideram resultado de “pura vaidade política”. A euforia do 7 de setembro e do aniversário de Vitória durou pouco, agora, de volta à realidade!

Campanha às avessas
Capitão Assumção, aliás, exibiu em plenário, na sessão desta segunda, a adaptação que fez cima da marca do Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio, uma das causas das mortes de policiais. “Setembro negro, mês da não promoção dos policiais que afastaram-se para tratamento médico. Não me importo com sua saúde. Se baixar, diga não à promoção”.

Campanha às avessas II
A situação envolve mais de 60 policiais militares, que resolveram inclusive acionar o Ministério Público do Estado (MPES), como revelou matéria exclusiva de Século Diário desse domingo (8). Sem dúvida, mais um ingrediente para acirrar os ânimos na tropa, que depositou toda expectativa em Casagrande, mas logo levou um balde de água fria. Quer dizer, vários...

Ninguém recua
No “abacaxi dos servidores”, a previsão é de que a assembleia desta quarta-feira seja maior que a primeira, com adesão dos municípios do interior do Estado. As categorias mantêm a reivindicação de recomposição imediata de 5,56% para estancar as perdas acumuladas (26,1% desde 2014), implantação da mesa de negociação permanente e fixação da data-base. Já Casagrande só debate isso em 2020. Ou seja...greve à vista!

Mais do mesmo
O plenário da Assembleia fez coro nesta segunda aos vetos parciais do governo ao polêmico projeto de reestruturação do MPES. Entre eles, um que citava artigo sobre as competências dos promotores que - pasme! - se referia a uma lei já revogada, e outro da concessão da 13ª parcela do auxílio-alimentação, que seria paga em dezembro. 

‘Balança’
O auxílio e a criação dos 307 cargos comissionados eram o carro-chefe do projeto do procurador-geral de Justiça, Eder Pontes. Mas, como já dito aqui, o governador tirou de um lado para oferecer do outro. Cargos mais do que liberados, 13° do auxílio não.

Todo-poderoso
A citação da lei revogada provocou novo discurso do deputado Sergio Majeski (PSB) sobre a forma atropelada com que a proposta passou pela Assembleia, na véspera do recesso parlamentar de julho, sem qualquer debate. Era o primeiro capítulo do caso que acabou em uma ação judicial movida por Eder Pontes contra o deputado, porque né...ai de quem criticar o procurador-geral de Justiça!

Preço alto
Bastou Majeski aparecer, pra Janete de Sá (PMN) também entrar em cena. Na época defensora tanto de Eder quanto do projeto com unhas e dentes, disse que a aprovação da matéria foi “acertada e precisa”, e veio com uma história de que “tentaram jogar a população contra a Assembleia”. Ah, tá bom! 

Contas antigas
Presidente estadual do PSL e candidato derrotado do partido ao governo do Estado em 2018, Carlos Manato não tem mais mandato de deputado federal. No entanto, tem circulado por câmaras municipais pra prestar contas do que fez na cadeira entre 2015 e início de 2019 e, claro, enaltecer o governo Jair Bolsonaro.

Vitrine
Nos últimos dias, Manato passou por Ibitirama e, nesta terça-feira (10), irá a Afonso Cláudio, onde a visita será incrementada com a entrega de um caminhão. As investidas remetem às estratégias do PSL para as eleições de 2020, que servem de degrau para o projeto de poder de Manato de 2022.

PENSAMENTO:
Da força à injustiça há só um passo”. Confúcio

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