Trabalhadores da Garoto fazem plebiscito sobre proposta para Acordo Coletivo

Apesar do excelente desempenho financeiro da Garoto, Nestlé quer pagar menos e cobrar metas do trabalhador

Os trabalhadores da Chocolates Garoto realizam um plebiscito nesta quarta-feira (12) para decidirem se aceitam a proposta da Nestlé sobre a Participação no Lucros e Resultados (PLR) no Acordo Coletivo 2021. A proposta da diretoria da multinacional reduz em até 37% os percentuais históricos de PLR pagos aos trabalhadores anualmente, e ainda tenta condicionar o pagamento ao alcance de metas de produção. 

“O Sindicato considera que é uma proposta que não atende aos trabalhadores”, avalia a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Alimentação do Espírito Santo (Sindialimentação/ES), Linda Morais, que acrescenta: 80% dos trabalhadores da fábrica estão nas três primeiras faixas de salário, em que as perdas são as maiores. 

“A Nestlé faz isso em todas as unidades. Está muito bem no mercado, a Garoto é uma das dez maiores empresas do grupo, mas ainda assim quer lucros cada vez maiores para os acionistas, retirando do pagamento do trabalhador”, expõe. 

Essa é a primeira etapa das negociações do Acordo Coletivo 2021. O anterior, de 2020, conseguiu manter a média de pagamento de PLR e sem a condição de metas a serem atingidas, como historicamente tem sido na Garoto. “Foi uma negociação satisfatória”, considera a presidente do Sindialimentação. 

Agora, no entanto, a Nestlé quer aprovar a inserção de metas de produção como condição para o pagamento de PLR, e diminuindo drasticamente o percentual, sendo que, quanto menor o salário, maior a perda de PLR proposta pela empresa. “Somente os trabalhadores podem ser o fator de decisão, entendendo sua força e importância”, enfatiza a líder sindical. 

Em um informativo distribuído aos trabalhadores na última semana, o Sindialimentação/ES mostras as perdas que a Nestlé quer impor, em percentual e valores absolutos, por faixa salarial. “Ela quer que o trabalhador cumpra metas e receba menos. Não tem como defender uma proposta desta. Os trabalhadores não podem trabalhar pelo retrocesso”, conclama a entidade. 

“A empresa sempre joga apenas nos ombros dos trabalhadores a necessidade desenfreada de manter o lucro do seu negócio, penalizando-os por fatores que não dependem do desempenho deles”, alerta. “Além de uma importante e merecida complementação salarial para o trabalhador, a PLR é um recurso fundamental injetado no mercado de consumo na cidade em que a Chocolates Garoto está instalada”, contextualiza o sindicato. “A empresa pode pagar mais e os trabalhadores merecem mais”, reitera.

O informativo conta ainda que, após a compra da Garoto pela Nestlé, em 2002, o Sindicato empenhou uma luta para conseguir o compromisso da multinacional em manter a fábrica em Vila Velha, bem como os empregos. “Entretanto, nos últimos anos a empresa vem com a postura de imposição e arbitrariedade, querendo impor redução salarial, redução/retirada de benefícios e terceirização, que se configurou, como o Sindicato já previa, na mais terrível precarização do trabalho. O ‘modelo de contratação de terceirização’ nas linhas de produção de artigos de páscoa, com salários inferiores e sem benefícios tem gerado subemprego, o que leva a ter pessoas tristes, adoecidas no interior da fábrica”, denuncia a entidade.

Um relato de uma trabalhadora terceirizada publicado no informativo ilustra a precarização: “A cada dia a motivação era mais baixa, porque além do péssimo ambiente de trabalho (calor, olhares de reprovação e julgamento), são poucas pausas para ir ao banheiro e tomar água, sala de café desativada, assistência zero da empresa que me contratou e com isso mais as dores no corpo pela exaustão foi pesando. Certo dia machuquei meu dedo no gancho e me colaram com um durex. Me senti mal e pedi para ir ao médico em busca de um remédio, a resposta foi: ‘isso é hora de sentir dor e pedir remédio? (..) Sofri humilhações ao ser questionada, ao perceber olhares tortos e ouvir gritos e na frente de todos, alguns ainda zombaram e riram de nós, os terceirizados, por estarmos naquela situação sofrida”.

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