Trabalhadores da Vale reclamam de censura do presidente do Sindfer

João Batista Cavaglieri não deixou que trabalhadores se manifestassem em assembleia

O presidente do Sindicato dos Ferroviários (Sindfer-ES/MG), João Batista Cavaglieri, impediu que trabalhadores tivessem direito à fala em Assembleia Geral realizada na última quarta-feira (28) na portaria da mineradora Vale, na Ponta de Tubarão, Vitória. De acordo com diretores que fazem oposição a João Batista dentro do sindicato, ele impediu que os empregados falassem e, com essa atitude, desrespeitou o estatuto da entidade, que prevê que todos têm o direito de ouvir e serem ouvidos nas assembleias, ferindo a livre expressão dos trabalhadores da Vale nas assembleias realizadas pelo Sindfer.

Membros da oposição pretendem ingressar com processo judicial contra essa atitude de João Batista Cavaglieri. "Isso é um sinal claro de que precisamos renovar esse sindicato! João está há mais de duas décadas no sindicato e há tempos dá sinais de ditador. Agora passou dos limites", disse Wagner Xavier, líder da oposição.

O grupo acusa João Batista Cavaglieri de sugerir item que pode prejudicar trabalhadores da Vale em futuras negociações: a resolução de conflitos, o que tem sido denunciado nas assembleias dos trabalhadores. 

De acordo com Wagner Xavier - informação também divulgada no jornal Oposição Ferroviária - Cavaglieri propôs na pauta de reivindicação entregue à empresa Vale a criação de uma cláusula de resolução de conflitos, o que, de acordo com a oposição, pode livrar a mineradora de pagar indenizações aos trabalhadores, uma vez que dificultará a judicialização dos casos trabalhistas. Ainda de acordo com a oposição, o atual presidente do Sindfer teria redigido a cláusula sem consultar os ferroviários e os demais diretores do Sindicato. 

A oposição também tem participado das assembleias da categoria para contrapor informações divulgadas pelo atual presidente. Segundo a oposição, João Batista Cavaglieri estava ocultando pontos da minuta do Acordo Coletivo de Trabalho apresentado pela Vale ao sindicato. Além da cláusula de resolução de conflitos, outras trazem prejuízos aos trabalhadores em áreas como faixas salariais, adicionais de insalubridade e noturno, banco de horas, entre outros pontos.

Mesmo grupo há 22 anos

O grupo da situação está à frente do Sindicato dos Ferroviários (Sindfer) há 22 anos. Liderado por João Batista Cavaglieri, ferroviários da oposição buscam a renovação política da entidade. Eleita em 1996, a deputada estadual Janete de Sá (PMN) permaneceu como presidente do Sindfer até 2002, sendo a primeira mulher eleita e reeleita. Foram dois mandatos de três anos. Ela fez ainda seu sucessor, João Batista Cavaglieri, que está na presidência do Sindicato até hoje em sucessivos mandatos. Depois de dois mandatos de três anos (2002 a 2008), Cavaglieri teria visto, porém, sua hegemonia ameaçada na eleição de 2008. Nessa data, o grupo Cebolão, da oposição, obteve 35% dos votos, o que teria deixado a diretoria que estava no poder preocupada. 

Logo após as eleições, foram realizadas, então, mudanças estatutárias apontadas como duvidosas e sem a participação da categoria, que aumentaram o mandato de três para quatro anos. As alterações também diminuíram o prazo para inscrições de chapas de 15 dias para cinco dias. Além disso, o tempo para os ferroviários disputarem eleição passou de seis meses como associados ao sindicato, conforme prevê a própria Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), para 18 meses. 

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