Trabalhadores encontram pedaço de inseto em comida do Infantil de Vila Velha

Nova organização social que assumiu hospital é denunciada por descaso com higiene 

As reclamações relacionadas ao Hospital Infantil de Vila Velha, o Himaba, continuam. Desta vez, trabalhadores da unidade denunciam a total irresponsabilidade no preparo da comida que é servida tanto para os pacientes quanto para os servidores. Nessa quinta-feira (19), foi encontrado um pedaço de inseto, identificado como barata, servido junto a batatas, além de sobremesa, arroz doce, azeda. Em meados de outubro deste ano, a organização social Instituto Gestão e Humanização (IGH) deixou de administrar o hospital diante de denúncias de desabastecimento e desvios de recursos. Assumiu temporariamente em seu lugar, o Instituto Gnosis, que alterou a empresa responsável pela alimentação, colocando a TR Refeições, alvo agora das críticas. 

Como se não bastasse o descuido com a comida, nesta sexta-feira (20), tabalhadores flagraram dois roedores mortos em um das salas de repouso de pacientes. 

A situação rapidamente ganhou as redes sociais, com relatos de trabalhadores de que nem os funcionários do administrativo da nova OS, Instituto Gnosis, estão comendo a comida servida na unidade. “Gente, 'tá' tenso. O pessoal do administrativo estava almoçando na Glória. Pelo menos quando era IGH, a gente não via eles comendo fora. Agora não estão nem aí...se os próprios diretores não gostam da comida deles, imagine os pacientes e funcionários? Eles não aprovam a qualidade e nem a origem”, escreveu uma servidora, que preferiu não ser identificada. 

Diante dos episódios, estão sendo flagradas filas de motoboys entregando comida na portaria da Himaba. Os restaurantes das proximidades do hospital, localizado no bairro de Soteco, vizinho à Glória, também registram filas, pois não há quem confie na qualidade da comida. Pacientes, acompanhantes e os próprios servidores fizeram registro no livro de reclamações.

Segundo os trabalhadores, além do descuido da nova empresa responsável pelas refeições, há suspeitas de que a dedetização do hospital não esteja em dia.    

Racionamento de comida em 2018 

Não é a primeira vez que os trabalhadores do Infantil de Vila Velha reclamam da alimentação. Em novembro de 2018, eles denunciaram que a empresa responsável à época pela alimentação do hospital - Verdall - estaria sem receber e, por isso, racionando a comida para pacientes e funcionários. Pacientes teriam comido, num final de semana, biscoito com café e trabalhadores apenas maçã com café com leite, uma vez que os padeiros estavam sem trabalhar. 

Insatisfeitos também com a qualidade da alimentação, um abaixo-assinado foi entregue a representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde no Espírito Santo (Sindsaúde-ES) pedindo providência urgentes da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) para resolver o problema. Há relatos ainda de que itens essenciais, como arroz, não estavam tendo os estoques renovados.

Um funcionários explicou que depois que a Verdall deixou o Himaba, assumiu uma nova empresa - Delícias Refeições, que agradava aos servidores, pacientes e acompanhantes. Ela foi trocada após a chegada do Instituto Gnosis, apesar dos apelos para que a mudança não fosse realizada. 

Mudança de Gestão 

Depois de dois anos de sucessivas reclamações e graves denúncias, a Organização Social Instituto Gestão e Humanização (IGH) deixou de administrar o Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves, conhecido como Himaba ou Infantil de Vila Velha, em outubro deste ano. O anúncio foi feito aos trabalhadores da unidade - concursados, temporários e terceirizados - pelo próprio secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes.  
  
Em março deste ano, o governo anunciou que realizaria uma auditoria nos hospitais estaduais administrados por Organizações Sociais (OSs), trabalho realizado pela Secretaria de Estado de Controle e Transparência (Secont). O Himaba, em Vila Velha, administrado desde 2017 pelo IGH, foi o primeiro alvo da fiscalização. As investigações constataram um rombo de, pelo menos, R$ 37 milhões em prejuízos aos cofres públicos, fruto de má gestão e irregularidades. Também foram constatadas prestação de contas na forma e no tempo inadequados e contratação de serviços com valores bem acima ao que permitia o contrato. Uma ação civil pública por parte do Ministério Público também tramita na 1ª Vara da Fazenda de Vila Velha para apurar as irregularidades.

Desde setembro de 2017, quando a Organização Social Instituto de Gestão e Humanização (IGH) assumiu a administração do Hospital Infantil de Vila Velha (Himaba), uma série de denúncias ronda a unidade. Entre as graves denúncias contra a OSs nesses dois anos, o caso mais chocante foi registrado em maio de 2018, quando Século Diário tornou público, com exclusividade, um relatório com dados oficiais da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) revelando que, no período de seis de outubro até 22 de dezembro de 2017, quase 30 recém-nascidos morreram na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (Utin) do Himaba. De acordo com a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, boa parte por infecção generalizada. A documentação relacionada às mortes foi levada pelo Sindsaúde ao Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
 
Também foram denunciados, nesse período, falta de medicamentos, extinção da classificação de risco (espécie de triagem para organizar o atendimento), superlotação, pacientes com doenças contagiosas sem isolamento, paralisação no atendimento de algumas especialidades, falta de estrutura, com pessoas internadas nos corredores; dívidas com fornecedores e trabalhadores; contratação de profissionais sem experiência e a baixos salários, repasses retidos por apresentar relatórios de prestação de contas inconsistentes.
 

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