TRT-ES apura falhas da Delta na construção de nova sede

Obras foram paralisadas pelo tribunal, que investiga falhas nas fundações (foto à dir.)

Depois de ser acusada de má execução em serviços de pavimentação, a empresa Delta Construções voltou a ser alvo de suspeições em torno da execução em obras no Espírito Santo. Desta vez, a empresa está sendo investigada por supostas falhas na construção da nova sede do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (TRT-ES), na Enseada do Suá. Os problemas forçaram a paralisação da empreitada que se arrasta há mais de seis anos. 


Os graves defeitos na execução das estacas de fundação, executadas na segunda etapa das obras com a participação da Delta, estariam comprometendo a continuidade das obras, de acordo com um comunicado emitido pela administração do TRT-ES. A presidente do tribunal, desembargadora Cláudia Cardoso de Souza, determinou a abertura de um procedimento para apurar a responsabilidade da empreiteira carioca. 

No final do ano passado, a empresa Paulo Octávio Investimentos Imobiliários, responsável pela terceira etapa das obras, comunicou ao tribunal a existência de falhas no projeto e na execução das estacas da fundação do prédio. Em seguida, o tribunal notificou as empresas NBC Arquitetura e Construções, responsável pelos projetos de estrutura e de fundações, e a empresa Delta Construções, que negaram as supostas falhas. 

Entretanto, a área técnica do TRT-ES não ficou satisfeita com as respostas e solicitou a contratação de uma perícia especializada, que já está sendo realizada pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo, para analisar os detalhes da obras. Com a medida, a empresa Paulo Octávio está mantendo apenas os serviços de rebaixamento do lençol freático e de manutenção do canteiro. 

Essa não é a primeira polêmica envolvendo a obras da nova sede da justiça trabalhista. Em setembro de 2010, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) incluiu a construção no rol de 91 obras do Judiciário em todo o País sob suspeitas de irregularidades. Deste grupo, apenas duas obras estavam localizadas no Estado – além da nova sede do TRT-ES, havia sido incluída a construção do novo Fórum de Vila Velha, também construído pela Delta. 

As suspeições lançadas sobre a empresa carioca não se restringem a obras no Judiciário. A Delta também foi acusada da má execução das obras dentro do programa de asfaltamento rural “Caminhos do Campo”, tocado pela Secretaria de Estado da Agricultura (Seag) no governo passado. As obras ficaram conhecidas pela qualidade duvidosa das empreitadas, que chegaram a ganhar a alcunha de “asfalto sonrisal” em alusão ao rápido desgaste do material utilizado. 

No ano passado, o nome da Delta Construções ganhou ainda mais notoriedade durante as apurações da mal fadada CPI do Cachoeira, que investigou um esquema de tráfico de influência da empreiteira carioca com políticos. Até mesmo uma empresa fantasma (Garra Construtora), com sede no município de Viana, teria sido utilizado para a lavagem de dinheiro oriundo da Delta – sendo responsável por R$ 23,5 milhões dos R$ 173 milhões registrados em transações.

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