Tubulação se rompe e alaga CTI do Hospital Estadual Antonio Bezerra de Faria

Os pacientes precisaram ser retirados com urgência e distribuídos por outros setores do hospital

Uma tubulação da parte hidráulica do Hospital Estadual Antonio Bezerra de Faria, único hospital público de Vila Velha, estourou na tarde desta terça-feira (5), quebrando o forro de gesso e alagando o Centro de Tratamento e Terapia Intensiva (CTI) da unidade.

Os pacientes precisaram ser retirados com urgência e distribuídos por outros setores do hospital. “Não conseguimos fechar o registro e o teto de gesso caiu. Foi muita correria para retirar os pacientes do local. Estamos sem condições de atender a população”, disse um dos servidores, que não quis se identificar.

A direção do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (Sindsaúde-ES) apura mais detalhes do ocorrido para tomar as medidas necessárias. “A falta de manutenção na estrutura do hospital é uma realidade. Nos últimos anos, o sindicato denunciou a falta de investimentos e o caos na saúde pública capixaba. O sucateamento dos hospitais estaduais serviam de prática para justificar a necessidade de privatização/terceirização”, afirma Cynara Azevedo, da Secretaria de Condições de Trabalho do Sindsaúde-ES (confira o momento em que o CTI é alagado em vídeo feito por servidores).


O Antônio Bezerra de Faria tem sofrido, por anos, a falta de infraestrutura, o que, constantemente, tem colocado a vida de pacientes em risco. Ao longo do tempo, os problemas relatados incluem falta de materiais, medicamentos e equipamentos como respiradores, além de estrutura física sucateada e superlotação com leitos improvisados até no chão. 

Caos

No final de 2018, o caos se instalou com a falta de luvas de procedimento, cateteres, transpore (tipo de esparadrapo) e uma lista de, pelo menos, 19 medicamentos em falta, entre eles, item essenciais como analgésicos, antibióticos, anti-hipertensivos, anti-inflamatórios orais e injetáveis, vitaminas e até remédios usados para conter hemorragias.

A unidade hospitalar, conforme já denunciado por Século Diário, continua sem climatização, pois os aparelhos de ar-condicionado estão quebrados devido ao sucateamento e à falta de manutenção. Pacientes, acompanhantes e servidores têm reclamado diuturnamente do calor excessivo deste verão. 

O Bezerra está na mira da terceirização, ou seja, de ter a gestão entregue a uma Organização Social (OS), empresa teoricamente sem fins lucrativos contratada pelo Estado. O processo, no entanto, foi suspenso pelo ex-secretário Ricardo de Oliveira para ser analisado pela atual gestão de Renato Casagrande. 

Atualmente, quatro hospitais no Espírito Santo são administrados por OSs. Em Vitória, o Hospital Estadual Central, administrado pela Associação Congregação de Santa Catarina (ACSC), e o São Lucas, administrado pela Pró-Saúde; em Serra, o Jayme Santos Neves, que está sob a gestão da Associação Evangélica Beneficente Espírito-Santense (Aebes); e, em Vila Velha, o Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), administrado pelo Instituto de Gestão e Humanização (IGH).

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