Tudo em casa

Alaimar Fiuza não está só. Servidores do Iema e ambientalistas apresentam o “homem da Vale II”

O “caldo entornou” para o lado do diretor-presidente do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), Alaimar Fiuza. Nos últimos dias, pipocam denúncias de servidores e ambientalistas contra sua gestão tanto relacionadas ao trato com sua equipe como à participação em funções estratégicas da autarquia de outros nomes ligados à poluidora onde fez carreira por mais de 30 anos. Chamado internamente e por entidades ambientalistas como “o homem da Vale”, Alaimar tem como assessor especial Eduardo Sosti Perini, que também soma uma lista de serviços prestados à mineradora. Ele assumiu no Iema em setembro deste ano, depois de ocupar desde 2015 supervisões de Meio Ambiente e funções de analista da área na Vale, cargos que tinham entre as atribuições tratar de questões relacionadas à Ferrovia Vitória-Minas, usinas de pelotização e Porto de Tubarão. A relação dele com a mineradora, porém, não começou aí, e sim há onze anos! Eduardo veio para Vitória a convite da empresa, depois de trabalhar no Terminal Portuário de Ponta da Madeira, no Maranhão, também de propriedade da mineradora, e ainda no Parque Zoobotânico Vale em Carajás, no Pará. Na cadeira que ele ocupa hoje, antes estava Andrielly Moutinho Knupp, de julho a setembro, quando sua nomeação foi tornada sem efeito. Entrou Eduardo, o “homem da Vale II”, e do governo ela foi para...Vale! 

Tudo em casa II
Informações de bastidores apontam que tanto Eduardo como Andrielly, que é analista de Meio Ambiente na mineradora, tratam de questões relacionadas ao rejeitado Termo de Compromisso Ambiental (TCA) assinado com a Vale – e também com a ArcelorMittal – no apagar das luzes do governo Paulo Hartung, em 2018. Sob protestos e ações judiciais pedindo sua anulação, em decorrência de irregularidades. 

Tudo em casa III
No mesmo dia, como se sabe, foi também concedida a renovação da licença de operação (LO) à Vale, mesmo com condicionantes não cumpridas há 11 anos. 

Tudo em casa IV
Andrielly trabalhou também durante anos em outra empresa mais do que conhecida do setor, a Ecosoft, de onde saiu direto para o governo. A empresa, que realiza os estudos oficiais para identificar as fontes emissoras de poluentes na Grande Vitória, apesar de ter também no cartel de clientes as próprias poluidoras, foi citada no relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Pó Preto por "estapafúrdias" conclusões sobre as emissões e, recentemente, apresentou o tão esperado inventário de poluentes, porém com dados inconsistentes, como apontado pela Juntos SOS Espírito Santo Ambiental, entidade atuante na área.

Inferno astral
As reações contra Alaimar ocorrem junto a pedido feito por entidades com assento no Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema) de abertura de processo contra ele na Secretaria de Meio Ambiente (Seama). O diretor-presidente do Iema é acusado de falta de decoro, por não colocar em pauta medidas que contrariam interesses da poluidora onde construiu sua própria carreira, em cargos de destaque. Omissão prevista e anunciada.

67% x 28%
A aprovação nessa segunda-feira (9) do projeto do líder do governo Freitas (PSB) e da deputada Janete de Sá (PMN) que reajusta os salários do governador, vice e secretariado, com efeitos também para as categorias do abate-teto, expôs a polêmica que norteia a iniciativa comentada aqui na coluna passada, só que agora em números, apresentados pelo deputado Sergio Majeski (PSB). De 2010 a 2019, o alto escalão obteve reajuste de 67,34%. Os demais servidores de 28%. Distância enorme.

Segue...
Em meio às tensões entre os servidores e o governo, e considerando os 18% (5% em 2018 e 13% em janeiro deste ano) já concedidos para essas categorias, enquanto a massa do funcionalismo ficou só com os 5% de 2018, depois de quatro anos de “seca” no governo Hartung, repito: o projeto é mais um ponto de desgaste que cai no colo do governador Renato Casagrande. 

Mantra
Como esperado, o encontro do Cidadania desse sábado (7) explorou a nova estratégia do partido para colocar gás na candidatura a prefeito de Vitória do deputado estadual Fabrício Gandini. Que passou a ser, exatamente, se colocar como principal opositor à eleição antecipada à presidência de Erick Musso (Republicanos), correligionário do deputado federal Amaro Neto, conhecido “terror” do grupo da situação na Capital.

Mantra II
A palavra de ordem foi “ameaça”, a preferida dos discursos do prefeito Luciano Rezende nos últimos meses, já de olho em 2020. Ele voltou a dizer “temos que defender Vitória e o Espírito Santo” e Gandini citou a renúncia de Erick como uma vitória parcial, mas que “não podemos parar de acompanhar esse processo, pois a ameaça está em vigor”.

Articulação
O encontro contou com a participação de lideranças do PV, PTB, PDT, PSB, PSC e Podemos. O Cidadania garante que o projeto em torno de Gandini recebeu apoio de todas essas legendas. A propósito...

Assunto adormecido
...e o PSB, hein? Mantém o projeto de erguer um palanque próprio ou já decidiu por Gandini, ignorando os pleitos do vice-prefeito Sérgio Sá e do deputado estadual Sergio Majeski, campeão de votos à Assembleia?

Ninguém sabe, ninguém vê
Por falar em Erick, apesar da polêmica do ano passado, o presidente da Assembleia segue destinando verba para a União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale), cujo trabalho ou retorno para a sociedade nem se ouve falar. Convênio publicado nessa segunda informa de mais um “termo de colaboração”, no valor de R$ 273,4 mil, com vigência de dois anos, o que dá mais R$ 11 mil por mês. Para...?

Ninguém sabe, ninguém vê II
No ano passado, o balanço dos repasses da Assembleia à Unale repercutiu na imprensa, somando quase R$ 1 milhão durante quatro anos. Erick chegou a dizer que encerraria o convênio e nada. Ele faz parte da secretaria-geral da entidade. 
    
PENSAMENTO:
“Os abusos são todos compadres uns dos outros, e vivem da proteção, que mutuamente se prestam”. Rui Barbosa

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