Valorizou o passe

Luciano Rezende diz que fez “barba, cabelo e bigode” nas eleições. Há controvérsias...

“Barba, cabelo e bigode”. Essa é a frase que o prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), usou em suas redes sociais após a votação de domingo (7) para resumir o resultado dos candidatos eleitos que chama de “seu”: Renato Casagrande (PSB) ao governo; Marcos do Val (PPS) ao Senado; Da Vitória (PPS) à Câmara dos Deputados; e Fabrício Gandini (PPS) à Assembleia Legislativa. Para quem quase não apareceu na campanha, sem dúvida, uma chance única de também levar o bônus, afinal, a não ser Casão, os outros são, de fato do PPS. Mas, para o mercado político, Luciano não ficou com esse mérito todo. Casagrande andou com as próprias pernas e foi o responsável por colocar Do Val debaixo do braço na reta final de campanha, conseguindo elegê-lo de virada. Da Vitória, do mesmo jeito, delimitou seu terreno pelo Estado, explorando a imagem de homem da segurança e opositor do governador Paulo Hartung. Já Gandini, esse sim da conta de Luciano, apesar da megaestrutura da máquina e depois de ocupar um cargo de supersecretário, ficou em 15º lugar, com 20,1 mil votos. Enquanto a outra aposta do prefeito e braço direito, Lenise Loureiro (PPS), teve um resultado inexpressivo para uma disputa à Câmara dos Deputados, com 17,6 mil votos. Quer dizer...

Pesadelo
Para o projeto de sucessão, então, o tabuleiro não é animador. Principalmente, porque o resultado do pleito mostrou que a assombração política de Luciano, chamada Amaro Neto (PRB), está mais viva do que nunca. 

Pesadelo II
Caso o deputado federal campeão de votos mantenha seu projeto de comandar Vitória em 2020 – e dizem que a ideia ainda é essa -, o prefeito, que já passou sufoco para vencê-lo em 2016, enfrentará nova pedrada pela frente. Amaro, desde então, só aumentou seu capital político, a ponto de bater a marca de 181 mil votos este ano (o segundo colocado teve 84 mil).

Prévia
Gandini, como se sabe, é o nome do grupo de Luciano apontado como o sucessor ideal – pelo menos era, até domingo. A candidatura à Assembleia, inclusive, foi para atender a esse projeto, ganhando mais visibilidade na Capital com o mandato. Mas, caso esbarre mesmo em Amaro, o caminho é longo: Gandini teve 10,3 mil votos em Vitória, Amaro 26,9 mil.

Comitiva
A propósito, Luciano Rezende viajou com a “comitiva PPS” para um encontro dos eleitos com o presidente nacional do partido, Roberto Freire. 

Pé da vida
O deputado Marcos Mansur (PSDB) levou a reeleição, mas saiu cuspindo marimbondo para cima do seu partido, em pronunciamento na Assembleia. “Perdeu o contato com as ruas, virou partido de elite. Se não fossem amigos e voluntários, eu não estaria aqui reeleito”.
 
A política dá voltas
Ex-aliados, depois afastados por disputarem o mesmo cargo este ano, e, agora, juntos de novo. Em Guarapari, o deputado eleito, Carlos Von (Avante), se reuniu com Gedson Merízio (PSB) um dia após o resultado das urnas. Um foi eleito, o outro não, mas, dizem por lá, que já firmaram parceria para 2020.
 
A política dá voltas II
Von foi eleito com 14,6 mil votos, mas Merizio ficou pelo caminho, mesmo alcançando índice próximo, 13,5 mil. Ele gravou vídeo nas redes sociais já sinalizando seu futuro político: “até 2020!”, anunciou.

‘Sou contra o fascismo’
Depois do apoio no segundo turno ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) declarado pelo presidente da Unidos da Piedade, do Centro de Vitória, Edvaldo Teixeira, em foto do seu perfil no Facebook, 81 pessoas da escola de samba divulgaram um texto com o título “Sou Piedade, sou contra o fascismo”. 

Segue...
“Sou Piedade, berço do samba, território de resistência e ancestralidade.
Sou Piedade que cantou Mandela, Meu sangue é raça, é força, é raiz. Sou Piedade, espaço da diversidade e do respeito. Sou Piedade onde o sangue de Ruan e Damião foi derramado. Por isso, não apoio projeto fascista que tem meu povo como alvo. Não embarco em projeto que ameaça a nossa própria existência”.

PENSAMENTO:
“O inferno é já não amarmos”. Georges Bernanos

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