Vereadores reiteram na Assembleia denúncias contra prefeito de Itapemirim

Membros da CPI contra Thiago Peçanha foram ouvidos por comissão, que decidiu convidar o prefeito

Em atendimento à solicitação feita pelo deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM) no início deste mês, a Comissão de Cidadania da Assembleia Legislativa recebeu, nessa terça-feira (18), vereadores de Itapemirim (sul do Estado) que instauraram uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra o prefeito Thiago Peçanha Lopes (PDSB) para apurar irregularidades na área da Saúde. Eles reiteraram as suspeitas e voltaram a denunciar “perseguição política e ameaças”.

Um dos presentes, o presidente da CPI, Rogério da Silva Rocha (PCdoB), explicou aos deputados que comissão foi criada para averiguar atos ilícitos principalmente no que diz respeito ao repasse de verbas pela prefeitura para o Consórcio Intermunicipal de Saúde CIM/Expandida Sul nos anos de 2017 e 2018, presidido nessa época por Peçanha.

“O Expandida Sul foi criado para complementar os serviços que o município não oferece. Mas a Prefeitura de Itapemirim não nos fornece um relatório de quais são o serviços prestados e nem os valores que estão sendo repassados. Enquanto isso,  a população reclama que não tem visto melhorias na área da saúde”, destacou Rocha.

Outra denúncia apresentada pelos vereadores é de que há indícios de que o prefeito em exercício favoreceu empresas de pessoas ligadas ao seu convívio familiar.

“Queremos averiguar possíveis favorecimento e direcionamentos de verba a algumas empresas. Aproximadamente 400 empreendimentos prestam serviços ao consórcio, entretanto, apenas três empresas específicas receberam 16% de toda a despesa executada”, ressaltou o vereador João Bechara Netto (PV), também ouvido na Comissão.

Segundo informações da Assembleia, apesar dos fatos apresentados, os vereadores não conseguiram responder concretamente às indagações feitas pelo colegiado, alegando que os trabalhos da CPI estão prejudicados, já que a comissão foi suspensa por duas vezes.

“Estamos sendo impedidos de apurar os fatos por conta de perseguição política. Começamos os trabalhos no início de maio, mas já tivemos duas interferências na CPI do Consórcio. Uma partiu do Juízo da Comarca de Itapemirim e outra do Tribunal de Justiça”, disse Bechara.

Além de Rogério e João, também estavam presentes à reunião os vereadores Mariel Delfino Amaro (PCdoB), Joceir Cabral de Melo (PP), Fábio dos Santos Pereira (PSL), Leonardo Fraga Arantes (PHS).
Depois dos depoimentos, a Comissão decidiu convidar para prestar depoimento o próprio prefeito Thiago Peçanha e a ex-diretora executiva do consórcio, Zilmara do Nascimento Calheiros, apontada como uma das beneficiárias.

O pedido do deputado Theodorico Ferraço (DEM), acatado pelo presidente da Comissão de Defesa da Cidadania, Enivaldo dos Anjos (PSD), foi feito após troca de acusações entre as lideranças de Itapemirim, levada ao plenário da Assembleia por aliados do prefeito, como o deputado Euclério Sampaio (sem partido).

Diante da decisão da Câmara Municipal que determinou seu afastamento do cargo, já revertida pela Justiça, Thiago Peçanha acusou Theodorico de “delinquência política em favor de sua esposa e pré-candidata à prefeitura, deputada federal Norma Ayub (DEM)” e de ser “o grande ator da instabilidade no município, produzindo fake news, denúncias falsas e interferência em processos usando as mãos de vereadores aliados”.

Já Theodorico respondeu com pronunciamento da tribuna da Assembleia em que exibiu documentos que, como afirmou, comprovam as denúncias, apontando ainda para a atuação de uma quadrilha com prejuízos aos cofres públicos de mais de R$ 4 milhões.

Nessa terça-feira, também participaram da reunião a deputada Iriny Lopes (PT), vice-presidente da Comissão de Cidadania, além do Delegado Lorenzo Pazolini (sem partido) e Adilson Espindula (PTB).

Nova CPI

Na última sexta-feira (14), Thiago Peçanha Lopes passou a responder a mais uma CPI na Câmara de Itapemirim, dessa vez para apurar indícios de superfaturamento nos contratos para obras de construção do Terminal Pesqueiro de Itaipava.

As denúncias apontam que os valores para a construção apresentam variações suspeitas. Dos R$ 40 milhões iniciais, passaram para R$ 69 milhões, com estimativa de alcançar R$ 100 milhões na conclusão das obras, a cargo da construtora JRN Ltda.

A CPI do Terminal Pesqueiro é presidida também pelo vereador Rogério da Silva Rocha (PCdoB), e tem Paulo Sérgio Toledo (PMN) como relator e Vanderlei Louzada Bianchi (PSB) como membro.

Caso comprovadas as irregularidades, o prefeito poderá ter o mandato cassado.

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