Vigília Feminista protesta contra feminicídios em Guarapari

Após assassinato de cantora, coletivos realizaram um ato no domingo cobrando políticas públicas

Diante da notícia de mais um feminicídio no Espírito Santo, com o assassinato da cantora Maria da Conceição Bispo dos Santos em Santa Mônica, Guarapari, coletivos e grupos da região organizaram um protesto nesse domingo (3). 

O ato teve início no fim da tarde em frente ao Hotel Porto do Sol, na Praia do Morro, e seguiu em caminhada até a Praça Philomeno P. Ribeiro, no bairro Muquiçaba. O grupo manifestante elaborou cartazes e também realizou uma roda de conversa na praça. Entidades presentes também apresentaram cartas de repúdio e cobrança em relação ao fato recente e da ineficiência das políticas existentes.

No crime ocorrido no último dia 27 de janeiro, Conceição, que usava o nome artístico de Ceissa Moreno, foi assassinada a tiros junto com seu namorado Jussie Almeida de Morais. O principal suspeito é o ex-marido dela, contra o qual a cantora tinha medidas protetivas devido a ameaças anteriores.

"A vigília teve o intuito de dizer a sociedade, como um todo, que estamos vigilantes e que vamos cobrar políticas públicas que atendam às demandas das mulheres. Não aceitaremos nenhuma a menos", declarou Kamillan Benevenuto de Souza, integrante do Coletivo Mulheres que Lutam, um dos que organizaram a ação e que também está organizando outros eventos para debater pautas feministas, especialmente aquelas ligadas às violências de gênero.

Além do Mulheres que Lutam, estiveram presentes os coletivos Abayomi, Sinestesia, Clube da Luta Maratimba, Fórum de Mulheres do Espírito Santo (Fomes), Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Mulher do Estado do Espírito Santo (Cedimes), além de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) a nível regional e estadual.

"É preciso combater essa ideia de que as mulheres são propriedade privada dos homens e não têm direito a ter uma autonomia em relação a eles. A gente resolveu fazer esse ato porque esse crime foi um estopim, mas lembramos também todas mulheres mortas pelo fato de serem mulheres e exigimos políticas do governo do Estado e da prefeitura de Guarapari", denunciou Emily Marques Tenório, do Fórum de Mulheres.

O ato foi encerrado com grande emoção, quando mulheres e homens presentes se juntaram e deixaram o grito de "Conceição, presente!"

Leia abaixo a carta divulgada no ato:

GUARAPARI, 03 DE FEVEREIRO DE 2019

A histórica Luta das mulheres contra as violências, em todas as suas formas, tem sofrido sérios abalos. Infelizmente, mais um feminicídio ocorreu no último dia 27, na Cidade de Guarapari, Bairro de Santa Monica, onde Maria da Conceição Bispo dos Santos foi assassinada pelo ex-marido, que não aceitava a separação. Também neste caso, havia sido decretada Medida Protetiva em desfavor do agressor, mas não foi suficiente para impedir mais um crime desta natureza.


Para denunciar este nefasto cenário, os coletivos feministas apelam a cada membro da sociedade civil para que apoie a transformação dessa realidade e pressione as autoridades judiciárias, legislativas e executivas que tomem medidas, urgentes, para que se voltem para a criação e fortalecimento das políticas públicas para as mulheres, tanto para prevenir quanto para conter as violências fundadas no patriarcado.


Exigimos que haja uma efetivação da legislação já existente, uma fiscalização responsável, ampla e rigorosa das Medidas Protetivas concedidas às vítimas, capacitação, valorização e recursos às Equipes Multidisciplinares, criação das Varas Especializadas em Violência Doméstica, reforço da Defensoria Pública e da Delegacia Especializada e dos demais órgãos públicos que fazem Atendimento à Mulher em situação de violência, a fim de proteger a mulher de forma rápida e efetiva. O Estado do Espírito Santo, com seus históricos índices de violência, deve ser exemplo na assistência às mulheres e transformação dessa realidade.

Comunidade Feminista de Guarapari

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