Municípios da Grande Vitória novamente no ranking dos mais violentos do mundo

Região metropolitana ficou em 49º lugar em ranking da ONG mexicana Segurança, Justiça e Paz. Sindipol afirma que crise na segurança pública capixaba cresce continuamente

A Grande Vitória figura mais uma vez na lista das 50 áreas urbanas mais violentas do mundo, segundo o estudo da ONG mexicana “Seguridad, Justicia y Paz” (Segurança, Justiça e Paz). A capital capixaba e os demais seis municípios da região metropolitana – Serra, Vila Velha, Cariacica, Guarapari, Viana e Fundão, em ordem decrescente de número de habitantes – ocupam a 49ª posição do ranking, com 707 homicídios registrados em 2017.

O levantamento é feito anualmente com base em taxas de homicídios por 100 mil habitantes e pesquisa as áreas urbanas com mais de 300 mil habitantes ao redor do planeta (veja lista completa abaixo - onde se lê Vitória, é Grande Vitória).

No relatório completo do estudo, em espanhol, a entidade explica que o número de homicídios foi obtido com a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) e os dados sobre a população, com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas os índices devem ser maiores, já que há contestações de entidades do Estado sobre os números apresentados pela Sesp.

Para o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol), o Espírito Santo vive uma crise na segurança pública há muitos anos, devido à negligência histórica em investimentos e políticas públicas. Em janeiro de 2018, a entidade divulgou um levantamento próprio do número de homicídios nos municípios tradicionalmente mais violentos.

Os resultados mostraram que o número de assassinatos de 2017 superou o de 2016 em todo o Estado e que “a Polícia Civil capixaba está em colapso e não consegue investigar tantos crimes”.

Ao contrário do divulgado pela Sesp, segundo o Sindipol, foram 1.403 homicídios em 2017, 222 a mais do que no ano anterior, com uma medida de 115 casos por mês. As mortes violentas, afirmam os policiais civis, continuaram aumentando mesmo após o movimento de paralisação feito pelos familiares dos policiais militares, em fevereiro de 2016.

Liderando as estatísticas capixabas, está a Serra, com 305 homicídios. Em seguida, Cariacica, com 177 mortes, seguido por Vila Velha, com 164, e Vitória, com 87 assassinatos. Os quatro municípios metropolitanos somaram 733 assassinatos no período, o equivalente a 52,24% do total.

No interior do Espírito Santo, Linhares se sobressaiu, com 87 mortes, seguido por São Mateus, com 67, Cachoeiro de Itapemirim, com 31, e Colatina com 30, totalizando 215 registros.

Juntos, os oito municípios mais violentos somaram 948 mortes violentas, correspondendo a 67,56% do total no Espírito Santo.

Paralisação da PM

No mês de fevereiro, quando aconteceu o movimento da PM, destaca a entidade sindical, houve um pico no número de assassinatos no estado: 229 casos. “Entretanto, os números mostram que as mortes continuaram crescendo ao longo do ano”, contextualiza.

“A Secretaria de Segurança Pública dizia que era um fato atípico, que a carnificina foi apenas por causa do movimento da PM no Estado. Porém, os números são claros e refletem a falta de investimentos e valorização de todos os agentes de segurança pública capixaba”, afirmou o presidente do Sindipol, Jorge Emílio Leal.

Brasil e América Latina

No estudo da ONG mexicana, 42 das 50 áreas urbanas citadas estão no continente latino-americano, sendo 17 delas no Brasil, considerado o país com o maior número de áreas urbanas mais violentas do mundo. 
Natal (RN) é a cidade brasileira pior colocada no ranking, aparecendo em quarto lugar geral, com 102,56 homicídios por 100 mil habitantes. Em reportagem publicada nessa quarta-feira (7), a BBC Brasil lembra que “a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera uma taxa acima de 10 homicídios por 100 mil habitantes como característica de violência epidêmica”.

Além de Vitória e Natal, as demais cidades brasileiras citadas são: Fortaleza (CE), Belém (PA), Vitória da Conquista (BA), Maceió (AL), Aracaju (SE), Feira de Santana (BA), Recife (PE), Salvador (BA), João Pessoa (PB), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Macapá (AP), Campos de Goycatazes (RJ), Campina Grande (PB) e Teresina (PI).

Segundo a BBC, o crescimento da violência em cidades menores - e, sobretudo, do Norte e Nordeste brasileiros - alarma especialistas há mais de uma década. Como o Brasil não investiga seus homicídios (mais de 90% deles ficam impunes), é difícil identificar com total certeza as relações de causa e consequência no que diz respeito à violência urbana.

“Mas estudiosos do tema apontam fenômenos como guerra de facções criminosas, avanço do tráfico de drogas e crescimento urbano sem a oferta de serviços de segurança eficazes como alguns dos motivos mais prováveis para a explosão da taxa de homicídios em cidades outrora pacatas”, argumenta a reportagem.

A rede britânica menciona ainda os casos de grandes capitais que não constam no ranking da entidade mexicana, pois “pode haver maior número absoluto de homicídios, a taxa é menor, já que resulta do cálculo do total de assassinatos dividido pelo tamanho da população”.

São Paulo, exemplifica, “teve taxa de 8,02 homicídios por 100 mil habitantes em 2017; o Rio, que vive uma crise de segurança pública, viu sua taxa crescer de 29,4 em 2016 para 32 homicídios por 100 mil habitantes no ano passado”, explica.

Como boa notícia, a reportagem destaca três cidades brasileiras que figuravam no ranking de 2016 e deixaram de aparecer em 2017: Curitiba (PR), Cuiabá (MT) e São Luís (MA).

Objetivo político

A Segurança, Justiça e Paz diz que elabora o ranking com "o objetivo político cidadão de chamar atenção à violência nas cidades, sobretudo na América Latina, para que governantes se vejam pressionados a cumprir com seu dever de proteger os governados e garantir seu direito à segurança pública".

A organização usa como critério a taxa de homicídios por 100 mil habitantes oficial em cidades de 300 mil habitantes ou mais, além de fontes jornalísticas e informes de ONGs e organismos internacionais.

São excluídas do levantamento cidades de países em conflito bélico aberto, como Síria, Iraque, Afeganistão e Sudão, sob a justificativa de "a maioria das mortes violentas (nessas cidades) não corresponderia à definição universalmente aceita de homicídio, mas sim mortes provocadas por operações de guerra, segundo a classificação da OMS".

Mais infiormações, no site da ong Seguridad, Justicia y Paz

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