Viver e conviver com HIV é tema de roda de conversa na Gold

Tratamento correto torna vírus indetectável e intrasmissível. Diagnóstico e sinceridade são fundamentais

“Minha/meu parceirx tem HIV. E agora?”

Como "viver e conviver com o HIV" é o tema de um bate-papo que acontece na sede da Associação Grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade (Gold) na próxima terça-feira (11), às 19h. Os participantes poderão conversar com um casal de namorados que vive essa situação, além do infectologista Lino Neves.

O termo “viver com HIV”, explica a entidade, é atribuído às pessoas que são soropositivas e “conviver com o HIV” é a situação dos familiares, companheiros e dependentes do soropositivo, que se envolvem nos cuidados com a pessoa que vive com o vírus.

Século Diário conversou com o soropositivo que estará no evento, que preferiu não se identificar, e aqui será chamado de Fabiano. O rapaz descobriu que é portador do HIV há seis anos e atualmente tem um relacionamento homoafetivo com um soronegativo.

A sinceridade acredita, foi fundamental para estabelecer uma relação de confiança mais rapidamente com o parceiro. “O meu atual namorado sentiu isso, confiante de estar comigo porque eu estava sendo sincero com ele desde o começo. Viu que eu tomava os remédios, entendeu que a pessoa que toma remédio, controla faz exames vai ao médico, ela não transmite o HIV, então seria seguro ter relações comigo no quesito HIV”, relata.

De fato, a pessoa que toma os medicamentos torna o vírus indetectável e intrasmissível, permitindo uma vida sexual normal, sem riscos para o parceiro. No caso de Fabiano, pelo fato dele ter interrompido temporariamente o tratamento recentemente, o namorado está tomando o cuidado de tomar o PrEP – Profilaxia Pré-Exposição, que é um comprimido ingerido diariamente, que impede que o vírus causador da aids infecte o organismo.

“Mas até então ele não tomava. Ele podia simplesmente ter relações sem se preocupar, pois eu não transmitia HIV pra ele durante o tratamento e nós fizemos exames para outras ISTs [Infecções Sexualmente Transmissíveis, como gonorreia, sífilis e hepatites] e estava tudo certo, então a gente tinha relações sem camisinha”, conta.

Fabiano é militante de uma campanha permanente pela informação da população sobre HIV e AIDS, pois existem ainda muita desinformação e preconceito sobre o tema. Todo dia primeiro de dezembro, Dia Mundial de Combate à AIDS, ele participa de eventos de conscientização.

“Não se deve ter medo de falar que é soropositivo. Eu levo uma vida normal, tenho tanta saúde quanto qualquer outra pessoa, tanto soropositiva quanto soronegativa, está tudo certo”, afirma.

Ele enfatiza a importância de se fazer o teste imediatamente, em caso de qualquer situação de risco de contaminação, pois com o tratamento adequado, não só se pode ter uma vida saudável, como também proteger as pessoas com as quais se relaciona.

Por isso é tão preocupante a declaração recente de Luiz Henrique Mandetta, futuro ministro da Saúde, de que sua pasta deve reduzir os investimentos no tratamento público contra o HIV e AIDS.

“Se o Estado não controlar a epidemia, facilitando ao acesso à população de forma geral, pode acabar muita gente doente em alguns anos”, alerta, lembrado que o Brasil sempre foi referência no tratamento ao HIV, que, na década de 1980 e 1990, teve o sociólogo Betinho como ícone dessa luta e um dos principais orientadores para as políticas públicas de sucesso nessa temática. A luta contra a doença, no Brasil, completa 30 anos em 2018.

Mas a redução do acesso ao medicamento – que tem um custo mensal em torno de dois mil reais – já está sendo percebida no governo Michel Temer. “Eu sinto que nos últimos anos ficou mais complicado pegar o remédio, mas nunca houve interrupção no tratamento. Antes se eu pegava de três em três meses, e agora tenho que pegar de mês em mês, isso indica uma diminuição no estoque das farmácias públicas”, diz. 

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