Acontece em fevereiro, mas não é carnaval 

Mais um dia dos namorados passou, trazendo as dificuldades de sempre

Mais um dia dos namorados passou por fevereiro, trazendo as dificuldades de sempre: impossível achar mesa disponível em um bom restaurante, impossível achar um cartão desejando um Happy Valentine's Day que já não tenha sido enviado antes, impossível comprar um buquê das tradicionais rosas vermelhas (ou brancas, ou pink, ou champagne, ou qualquer outra cor que ponham nas rosas) porque nesse dia especial os preços escalam as altíssimas neves do Kilimandjaro. Ou de qualquer outro monte considerado marco cultural, histórico ou musa fotográfica.

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Tudo muito caro! suspira Lude. Uma desculpa esfarrapada para enganar o coração, visto que, neste auspicioso ano de 2019, Lude não tem a quem enviar ou de quem receber mensagens apaixonadas acompanhando buquês de rosas ou caixas de bombons recheados de carinho. O que deu errado em sua vida? Os romances vicejam no dia dos namorados, cheios de promessas e encantamento, mas Lude nunca teve uma comemoração inesquecível nesse dia. Embora bela e carinhosa, Lude ainda não teve seu dia dos namorados, apesar dos muitos namorados.

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Fevereiro, 2018. Mauro, o grande amor de Lude, estava em viagem de negócios na Tailândia. Mas o amor não tem fronteiras, e apesar da disparidade dos fusos horários, eles passaram a noite toda no celular, trocando juras eternas e tecendo planos para o futuro. Mesmo no lado oposto do globo, Mauro enviou flores, um buquê tão exagerado que as amigas postaram no Facebook.  Encerrada a interação cultural/comercial, porém, Mauro queimou o bilhete de volta - se apaixonou por uma tailandesa e decidiu que a Tailândia era o melhor lugar do mundo para viver. Deve ser, porque ele nunca mais voltou.

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Fevereiro de 2016 - Um ardente caso de amor eterno coincidentemente começou no dia dos namorados. Lude chega primeiro ao fino restaurante francês onde reservou mesa com meses de antecedência. Alonso lhe traria flores e provavelmente um anel de noivado, mas não compareceu, não ligou nem atendeu às chamadas no celular. Existe situação mais embaraçosa? Lude não sabe se janta sozinha ou vai embora, quando alguém se senta na cadeira à sua frente - Osório, o dos olhos negros mais lindos que jamais existiram. Seu namorado não veio?… ele pergunta. Onde está sua namorada? ela revida. Acho que entrei no restaurante errado, ele explica. 

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Não foi a sonhada celebração tradicional do dia dos namorados, mas começou bem. Durou um ano, porque em fevereiro de 2017 ele a deixou esperando em outro restaurante, e ninguém veio ocupar a cadeira vazia à sua frente. Só mais tarde Lude descobriu a verdade - contumaz unha-de-fome, Osório nunca pagaria a conta de um jantar romântico no restaurante que Lude escolheu. Comprar flores ou uma garrafa de vinho? Nem pensar. Lude poderia até perdoar essa falha de caráter, se ele tivesse admitido a verdade no primeiro encontro.

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Fevereiro, 2015 - O primeiro amor, o primeiro beijo! Lude vive seu conto de fadas particular, cheio de romance e suspiros, igualzinho nos filmes.  A expectativa do primeiro Valentine’s Day a faz passar noites em claro, sonhando de olhos abertos. Joel estava na faculdade e não tinha dinheiro para um jantar regado a vinho, mas lhe leva flores roubadas do jardim da casa vizinha. Antes do dia terminar, porém, Lude descobre que ele levou flores para mais alguém: Víbora, sua melhor amiga. Lude é persistente e ainda espera seu romântico dia dos namorados acontecer. Aguardem o próximo  fevereiro.  

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