Coisas que aprendi quando criança  

Criança, eu? Quando digo que sim os netos não acreditam

Criança, eu? Quando digo que sim os netos não acreditam. Palavrão, também conhecido como nome-feio e xingamento, era proibido para as mulheres. Coisa de homens, diziam, que  também não estavam autorizados a falá-los na frente das damas, principalmente garotas. Claro, nem sempre as regras eram seguidas e as exceções abundavam. Eram os chamados desbocados, ou mal-educados, às vezes engraçados, às vezes inconvenientes, e não sofriam castigos por isso. Mas costumavam passar sabão na boca das meninas que diziam um palavrão.

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Dormir cedo e acordar cedo. A norma era rígida, mas hoje em dia parece ter ocorrido uma reversão temporal, e todos dormem tarde. Tá certo, não tínhamos televisão, computadores e celulares e o rádio só transmitia a Hora do Brasil às 7 e o Jornal Nacional às 8. O final do dia das crianças era jantar, brincar de pique ou de roda na rua, banho, uma Ave-Maria, e cama. Tudo isso antes do Jornal Nacional. O que vinha depois era um mistério, se é que vinha alguma coisa depois. 

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Dormir cedo faz bem pra saúde, decretavam, e a gente não acreditava, achávamos que queriam se livrar de nós. Acho que as duas coisas. Hoje sabemos que estavam certos, dormir é essencial para a saúde, embora haja quem durma pouco e viva muito. Quanto a acordar cedo há controvérsias, pois todos precisam acordar cedo para descontar as duas horas no engarrafamento matinal, mas dormem até meio-dia nos domingos e feriados. Se não dá praia. 

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Comer verduras. Nessa regra não houve mudanças: os pais de hoje continuam exigindo tal sacrifício dos filhos, embora eles não comessem quando crianças, apesar das brigas e puxões de orelha.  O espinafre do Popeye não era verdura que se encontrasse nas hortas da periferia, e supermercados também não existiam nesses idos, mas era mostrado como bom exemplo de alimento saudável, embora nossa couve de todo dia fosse mais poderosa. Além do mais, era um enlatado. Enlatado no meu tempo só salsicha e sardinha. 

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Castigo corporal, social ou psicológico, tipo puxão de orelha, beliscão, tapa, ficar sem sobremesa... a criatividade não tinha limites. Falo de castigos leves para educar, mesmo que muitas vezes desnecessários. Violência é assunto sério: uma em cada três mulheres no mundo sofrem violência física e/ou sexual por parte de parceiros ou estranhos. A ONU e a União Europeia criaram uma iniciativa global para eliminar toda forma de violência contra mulheres, para atingir a Agenda de Desenvolvimento Sustentável programada para 2030. Um longo caminho a ser percorrido, com um investimento grandioso: 500 milhões de euros em campanhas de esclarecimento e proteção.

“Esse é o lugar onde os sonhos acabam e os pesadelos começam - o mundo da violência do parceiro íntimo" (Mallika Nawal).

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