Errare humanum est

Nos tempos atuais está cada vez mais difícil discernir o certo do errado, quem foi iludido e quem é o falsário


Casas preparadas para o furacão Dorian  


Errar é privilégio dos humanos. Disse São Jerônimo: Errare humanum est, nunca vi cachorro arrependido por latir de madrugada ou galinha se desculpando porque não pôs ovos. Pode ser Fake News, mas talvez a frase tenha mesmo sido cunhada por ele. Não garanto, mas também não duvido. Nos tempos atuais está cada vez mais difícil discernir o certo e o errado, quem foi iludido e quem é o falsário. Como sempre acontece, os enganados somos nós. Um erro puxa outro, e ninguém acerta todas. Feito um Diógenes moderno, ligue a lanterninha do Iphone e saia por aí procurando alguém que nunca errou. Acho que ainda não nasceu. 

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Dalva de Oliveira cantou, “Errei sim”, mas pôs a culpa no outro: Mas fostes tu mesmo o culpado. O erro, esse vampiro espreitando nas sombras, é flexível, oscilando do irrelevante ao imperdoável, do comum ao gravíssimo, do despercebido ao difundido aos quatro ventos. Suponhamos que eu cometa um errinho qualquer, desses que as pessoas nem comentam nas reuniões de condomínio, se é que alguém comparece às reuniões de  condomínio. Esse mesmo erro cometido pela Meghan Markle sairia em todas as redes sociais e seria comentado até nas assembleias da ONU. Donde concluímos que os erros são efêmeros, grandes são as pessoas. 

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Se errar é humano, admitir o erro é mandatório, embora nem todos o façam. Mas corrigir o erro, na dolorosa mea-culpa, exige muito esforço físico e mental para constatar a veracidade ou falsidade dos fatos, dando-lhes dimensões exatas. Correções necessárias sobre fatos divulgados na coluna “No mundo da lua” da semana anterior: 1) Neil Armstrong e Buzz Aldrin foram os primeiros, mas não os únicos astronautas a pisar o solo lunar: seis Apollos levaram 12 astronautas para a lua: todos americanos, todos homens, todos brancos, ganhando $8,00 dólares por dia e ainda tendo que pagar a “cama” na espaçonave. 

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Esse valor é pouco mais que o  salário  mínimo atual americano: $7,25. Que não sobe desde 2008. O salário mínimo é moeda política, e suas variações provocam as ondas migratórias de “trabalhadores” mundo afora. Se no Brasil o mínimo é $1,46 dólares por hora, na Austrália é  $14,96. Portanto, a  terra dos cangurus anda cheia de brasileiros. O novo endereço dos aventureiros é a Nova Zelândia: $17.70 por hora, ou $708,00 pela semana de 40 horas. Comece a arrumar as malas.

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Foi a Associação de Contadores de Histórias da Pérsia (e não de Bruxelas, como publicado) que pouco antes do lançamento da  Apollo 11 escreveu para a NASA pedindo para suspenderem o evento: a viagem acabaria com as ilusões humanas, e eles ficariam desempregados. Tem tudo a ver: contar histórias é uma tradicional arte dramática no Iran, e desempenha papel importante na sociedade. As encenações são feitas em verso ou prosa, enriquecidas com movimento teatrais, instrumentos musicais e pergaminhos pintados, preservando a literatura e cultura persas. Os artistas precisam conhecer a fundo as expressões culturais, a linguagem, os dialetos e a música tradicional do país. Isso exige talento, boa memória, e principalmente, a habilidade de improvisar e cativar a audiência. 

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Se existe uma união profissional de contadores de histórias no Iran que de fato escreveu para a NASA, é controverso. Pode ser Fake News, mas a ilusão é mais bonita. Ninguém acredita que Aladim achou uma lâmpada mágica, mas suas aventuras continuam encantando crianças de todas as idades. Notícia que infelizmente não é falsa: Dorian, o furacão que ronda a Flórida, deve chegar na minha área nesta segunda-feira. Ao digitar essas linhas, dois haitianos estão lacrando minhas portas e janelas com protetores de alumínio. O que vem por aí? Depois eu conto.

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