Eu presumo

Há livros e livros, mas uns são mais livros que os outros. Ou mais lidos que os outros

Completa 147 anos neste mês de novembro uma das menores sentenças a ganhar um lugar de honra na lista das frases mais famosas da humanidade. Quatro palavras, na verdade, ditas com muita emoção por Henry Morton Stanley, quando encontrou Dr. David Livingstone em Ujiji, perto do Lago Tanganyika, na África Central: ‘Dr. Livingstone, I presume?’ Stanley depois a incluiu no livro, Como encontrei Dr. Livingstone. E entrou para a história.

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Menor e ainda mais famosa, 'Veni, vidi, vici'. Assim falou Júlio César, para justificar a vitória sobre Farnaces II, rei do Ponto, em 47 a.C.  E assim adentramos novembro, que  veio como um aviso na beira da estrada - fim do ano no final da linha. Quem não se espanta com tal pressa? Mas já? Ainda nem me recuperei de 2017.  O que aconteceu em 2018 que será lembrado em 2118? Talvez já tenha nascido a criança que vai  mudar o mundo para melhor: unir as religiões, os ideais políticos, todas as raças e credos. Sonhar ainda é preciso. 

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Donde concluímos, sorrir é preciso, porque sobreviver é preciso, ou sofrer não é mandatório. No exato momento em que você passa os olhos nestas mal-traçadas linhas, talvez uma mulher nos confins da Índia esteja trazendo ao mundo o futuro cientista que encontrará um remédio para curar todas as doenças, do corpo e da alma. Ou o cientista belga que vai encontrar  na Amazônia uma plantinha que elimina a obesidade, sem dietas e ginásticas. Além da queda de cabelo. Por que não uma vacina, Dr. Livingone?  

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'Abençoadas são algumas pessoas que vivem sem medos e pavores, para quem dormir é uma benção que chega todas as noites, e que sonham apenas sonhos doces'. Quem assim disse foi Monteiro Lobato, que em 1918 publicou Urupês, um livro de contos. Considerado sua obra-prima, Urupês relata em 14 contos a triste vida do caboclo brasileiro, e quase todos têm um final trágico.  E mais ele disse: ‘Quem escreve um livro cria um castelo. Quem o lê mora nele”. Há  autores abençoados cujos livros viraram castelos, cujos cômodos nunca estão vazios - há sempre leitores morando neles pelos séculos dos séculos afora. 

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Há livros e livros, mas uns são mais livros que os outros. Ou mais lidos que os outros. Franz Kafka escreveu A colônia penal e outros contos, todos  pessimistas, e Bram Stoker criou o Drácula, o personagem mais explorado do cinema. Na ala dos otimistas, Edgar Rice Burroughs publicou Tarzan e as Joias de Opar, o quinto de uma série de 24 livros.

Fernando Pessoa publicou 35 sonetos. Em Portugal dizem que os quatro maiores poetas portugueses são Fernando Pessoa (Pessoa e seus 3 alter-egos, que escreviam em estilos totalmente diferentes: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos). 'O poeta é um fingidor / Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente'.

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