No mundo da lua

Comparado com nossos modernos celulares, o sistema de computadores da Apollo ainda usava fraldas

Há 50 anos a nave espacial Apollo 11 aterrissou na lua - “Um pequeno passo para o homem, um grande feito para a humanidade”. A famosa aterrissagem, que custou aos cofres da NASA a bagatela de $25.4 bilhões de dólares (US$ 153 bilhões na moeda de hoje), foi assistida nas TVs preto e branco por 650 milhões de pessoas mundo afora. No entanto,  os astronautas que arriscaram a vida nessa missão quase impossível ganhavam uma ninharia: Armstrong, o líder da missão, ganhava pouco mais de dois mil dólares por mês, e seus parceiros de aventura ganhavam menos ainda. 

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Mas tiveram o cuidado de deixar escritos e assinados uma montanha de cartões postais comemorando o feito - se não voltassem, as famílias ficariam bem vendendo essas relíquias. Hoje eles realmente valem muito. Voltando sãos e salvos da homérica empreitada, não houve bônus ou brindes especiais, como acontece com os vencedores da Copa do Mundo, por exemplo. O ainda presidente Nixon tinha no bolso dois discursos preparados: um pesaroso, caso as coisas dessem errado, e um eufórico, que felizmente foi o transmitido. Valeu a pena? Os três deixaram o nome na história e escreveram livros que venderam bem. 

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Era a época da chamada Guerra-fria, e as disputas entre Estados Unidos e Rússia foram o verdadeiro combustível dessa corrida espacial. Depois as coisas se acalmaram e outras prioridades surgiram, as acaloradas disputas entre as duas potências esfriaram. Mas as cinzas escondiam muita brasa, e uma nova corrida espacial está na ordem do dia. Embora nenhum outro ser humano tenha pisado na lua depois deles,  estão chegando cada vez mais perto. 

Nesse mês de janeiro, as TVs digitais de alta fidelidade mostraram a descida do foguete chinês Chang'e 4, no lado escuro da lua, que ainda não havia sido fotografado.  O nome veio de uma deusa muito popular na mitologia chinesa, que nas constantes guerras comuns entre os deuses que criamos, foi morar na lua. Os chineses planejam construir uma estação espacial  na lua. Se tudo na terra já é made-in-China, por que não na lua? Em abril o foguete israelense SpaceIL, também chegou lá.  Espatifou na superfície lunar, mas chegou. Os israelenses não desanimam e já estão construindo outro foguete.  Até a Índia, essa nação enigmática, está entrando nessa corrida com o Chandrayaan-2, que deve descer na lua no final deste ano. Em 2020 será a vez dos japoneses, e a Agência Espacial Europeia pretende minerar o gelo do solo da lua em 2020. Vendo tanta animação,  os americanos prometem atacar com força total para recuperar sua primazia nos céus. 

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A bandeira americana plantada no solo lunar foi confeccionada pela Sears, mas a NASA manteve segredo desse fato, para não fazer campanha comercial do evento. No entanto, o suco que os astronautas tomavam era um certo pozinho cor de abóbora - Tang, suco de laranja, por ser prático. Lembro quando chegou no Brasil, que festa! Antes dele, só tínhamos suco de groselha. Os fabricantes tiveram intensa propaganda gratuita.Comparado com nossos modernos celulares de 8 gigabytes, o sistema de computadores da Apollo usava fraldas. Antes do lançamento da  Apollo 11, a Agência de Contadores de Histórias de Bruxelas escreveu para a NASA, pedindo que eles suspendessem o evento: essa viagem acabaria com as ilusões humanas, e eles ficariam desempregados. 

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