O sexo ritualístico no mundo tântrico hindu - Parte II

A base do Maithuna é o estabelecimento de uma relação com base no amor tântrico

No Maithuna (Ritual Sexual para o despertar da energia Kundalini), está presente a força da liberdade, da naturalidade e da espontaneidade presentes no Tantrismo. A palavra naturalidade é a marca dessa filosofia, que vê a vida e o mundo da forma mais natural possível. 

Nada é proibido, isto para aquele que já está na Senda Tântrica, pois este já tem sua consciência desperta e sabe fazer, com discernimento e sabedoria espiritual, suas escolhas, ou seja, não faz suas escolhas com base apenas em seu interesse egoísta ou egocêntrico. O Sadhaka tem consciência plena da força do Karma e da ação do Dharma e, por isso, é um ser integrado consigo mesmo e com o mundo exterior, exercitando relações (inclusive sexuais) conscientes, éticas e responsáveis.

A base do ritual Maithuna é o estabelecimento de uma relação com base no amor tântrico, no qual corpo e espírito não estão dissociados e no qual não há internamente entre os parceiros qualquer sentimento de negação da expressão do corpo e de seus impulsos sexuais, ou qualquer sentimento de menos valia de seus anseios, desejos e instintos. Tudo isto é vivenciado da forma mais tranquila e natural possível. 

Não há barreiras ou limites no que diz respeito às formas que se possam estabelecer nessa relação, relação na qual se busca realizar todas as potencialidades de prazer e do gozo que todas as instâncias do ser humano, sejam essas instâncias de natureza física ou psicológica, podem propiciar em uma relação sexual. No entanto, cabe aqui destacar, toda essa busca de prazer é focada no sentido do despertar de Kundalini, não se estabelecendo, portanto, uma relação apenas do prazer pelo prazer, do gozo pelo gozo, pois há princípios morais, culturais e espirituais que norteiam toda a prática do Maithuna.

Cada parceiro está totalmente livre para vivenciar ao máximo a felicidade e os prazeres que podem estar presentes em uma relação em que se envolvem todos os níveis de que se compõe o ser humano. No Maithuna, o parceiro sabe que está em uma relação em que cada um tem consciência da dimensão da força espiritual poderosa que se desperta em um ritual Maithuna, pois se estará ativando a energia serpentina – a Kundalini – e, dessa forma, muitos Siddhis (poderes latentes) podem ser despertados e muitas vivências de ampliação da consciência (Chitta) poderão ser experienciadas.

Sabe-se que o ritual Maithuna se desenvolveu na Índia de variadas formas e, assim, adquiriu, ao longo do tempo, nuances variadas, desde o tempo de sua duração, até a forma de se vivenciar a prática concretamente, mas existe um arcabouço básico que norteia as várias tendências que esse ritual foi desenvolvendo ao logo dos séculos.      

De qualquer forma, como em todo o Tantrismo, tudo que está presente no Maithuna se dá de forma ritualística, como o é uma prática de Yoga Tântrico, como o é a prática de Shivam Yoga. 

Aliás, dentro do Maithuna, está presente e, formando mesmo a sua base, o Yoga Tântrico, através, primeiramente, do fato de os parceiros terem uma consciência espiritual desperta, o que se dá através da obrigatoriedade de observarem os Yamas e os Niyamas (princípios éticos comportamentais) – e isto é básico para que seja estabelecida uma relação consciente e responsável entre os parceiros. Em segundo lugar, e não menos importante que o primeiro item, para a “performance” do ritual, é preciso que os parceiros tenham capacidade suficiente para executar os Pranayamas (domínio da respiração) e os Asanas (exercícios de movimentos corporais). O domínio de ambos possibilitará aos parceiros realizar, de forma adequada, as posições presentes no Maithuna. 

Esse domínio representa a base para não só imprimir prazer ao ato, mas também para que se possa ativar os centros energéticos e, consequentemente, despertar a Kundalini. Outro item também não menos importante são as técnicas de meditação e de concentração que são desenvolvidas durante todo o ritual, assim como os Pujas (transmissão de energia), os Kriyas (purificações) e os Mantras (cânticos de força e poder). 

Todo o ritual é em si um Sadhana, uma prática de Yoga Tântrico, no qual há um objetivo primordial, que não é só o de possibilitar o gozo e o prazer, mas, principalmente, o de propiciar o autoconhecimento e o despertar da consciência, os quais serão conseguidos através do despertar dos Chakras e, consequentemente, do despertar de Kundalini. 

Maithua é um Aart (ritual) Tântrico e deve ser vivenciado pelos parceiros como um autêntico e poderoso Sadhana (prática de Yoga Tântrico), caso contrário está-se apenas em uma relação sexual comum.
 

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