Oh, dívida!

Dezembro chega ao meio e ainda não me preparei psicologicamente para enfrentar a maratona do final do mês

Dezembro chega ao meio e ainda não me preparei psicologicamente para enfrentar a maratona do final do mês, que tem a honrosa tarefa de dar as boas vindas ao próximo ano. A caixa do correio está diariamente superlotada de anúncios coloridos, propagandas tentadoras, advertisings bem elaborados…promoções imperdíveis, descontos incríveis, preços abaixo do nível do mar. Em qual acreditar, qual escolher? Jogo na lixeira sem ler e sem sofrer ou examino todas as ofertas e possibilidades para definir o que dar a quem neste natal? Oh, dúvida! 

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Aderimos à modernidade tecnológica e optamos pelas compras online ou enfrentamos as lojas superlotadas, as longas e lentas filas nos caixas, a disputa por uma vaga nos estacionamentos? Insuficientes, mas pelo menos gratuitos. Embora as estatísticas garantam que as compra online estão vencendo essa competição, shoppings e supermercados ficam abertos até meia-noite, ou até a última freguesa resolver se leva uma bolsa Prada ou  três bolsas Guess, pagando o mesmo valor: Ganho a promoção da Prada ou deixo as três tias mais felizes nesse natal? Oh, dúvida!

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As estatísticas não mentem, mesmo nas festas natalinas: quem compra online também compra ao vivo, o que mais uma vez comprova nossa insegurança emocional. E apesar das garantias de satisfação absoluta ou seu dinheiro de volta, ninguém devolve o que compra online, mesmo se não gostou. Não vai usar mas sempre pode presentear. Jingle bell, jingle bell…as caixas eletrônicas tilintam sem parar, porque comprar é preciso, não importa aonde nem como. Cash or credit card? Não tem o cartão da nossa loja? No cartão tem mais 45% de desconto… Todos voltam para devolver o que compram nas lojas, e compram mais. 

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Noite feliz… Essas mundanas decisões azedam mais os festejos natalinos do que as também inevitáveis maratonas gastronômicas. O que servir? perguntam-se os anfitriões; O que comer? perguntam-se os convidados, O que vestir? O que presentear e a quem? perguntam-se todos. É dando que se recebe, nos ensinou São Francisco, o de Assis, com a melhor intenção de disseminar o bem e a boa vontade entre os humanos, ignorando que as grandes ideias nem sempre levam a grandes realizações. Acho que nessa época o natal ainda não tinha se tornado uma orgia consumista.

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Festivos batem sinos anunciando os contratempos de última hora, alguém que não vinha e mudou de ideia, alguém que agora é vegetariano ou que agora aderiu ao churrasquinho, um convite inesperado para outra ceia, um convidado que traz outro convidado, um presente recebido que precisa ser retribuído, as listas de Amigos X ou Y, ocultos ou indeterminados, muitas vezes pessoas que a gente mal conhece ou não gosta. Mas tudo bem, em sendo natal precisamos confraternizar. Não gostou do que ganhou? Guarde para dar no  próximo natal.

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De dúvida em dúvida, de decisão em indecisão acertada ou desastrosa, vamos vencendo cada etapa desta corrida de obstáculos, para chegar ao final da linha esgotados mas realizados. As árvores de natal enfeitam os lares, luzinhas brilham nas fachadas…esse ano as brancas são as preferidas. Os corações se enchem de amor e as contas bancárias se esvaziam, mas isso é problema para se resolver no ano que vem. Oh, nunca!

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