Procuram-se: políticos honestos

Onde há poder haverá quem o controle, mas uns controlam a favor do povo e outros contra

Quando o primeiro homídio pôs a cabeça fora de sua caverna e anunciou, Quem manda aqui sou eu, estava criando duas entidades distintas e nem sempre antagônicas - o político e o corrupto. Na caverna ao lado, o segundo homídio declarou: Vou ficar de olho nesse cara, iniciando também a caça aos corruptos. Donde se conclui que não estamos sós nessa batalha: onde há poder haverá quem o controle, mas uns controlam a favor do povo e outros contra. Entre uns e outros, tudo pode acontecer.

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Um sujeito chamado Diógenes andava pelas ruas de Atenas com uma lanterna na mão, procurando um homem honesto. Homem, no caso, não indicava o substantivo generalizado do ente humano, mas os políticos e poderosos da cidade, que viviam no luxo e  eram corruptos. Um inovador nesses tempos, ou cada louco com suas manias. Diógenes, que foi rico e perdeu tudo que tinha, escolheu viver na pobreza, e acreditava que a virtude devia ser ensinada com ações em vez de teorias. Faça o que eu faço, em vez do faça o que eu digo, como ocorre em muitas campanhas eleitorais. 

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Pregando a pobreza e modos simples de vida, ele tentou combater os excessos do poder e nunca se curvou diante dos grandes. Alexandre, o grande, quis conhecê-lo e o encontrou pegando um solzinho no mercado (onde vivia dentro de um grande jarro). O Rei da Macedônia concedeu-lhe um favor, peça o que quiser, e atenderei. Diógenes disse: Sim, afaste-se porque sua sombra está encobrindo meu sol. A sombra de Alexandre devia ser bem grande.

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Parece que o rei vivia tropeçando no mendigo, e em outro encontro Alexandre teria dito: Se eu não fosse Alexandre gostaria de ser Diógenes. Ao que o filósofo teria replicado: Se eu não fosse Diógenes ainda gostaria de ser Diógenes. Certa vez Alexandre o encontrou revirando uma pilha de ossos humanos e perguntou o que ele procurava, Diógenes: Procuro os ossos do seu pai, mas não consigo distingui-los dos ossos de um escravo. 

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Perguntado onde queria ser enterrado, Diógenes pediu que o jogassem fora das muralhas da cidade, para que os animais selvagens se divertissem com seu corpo. Mas ponham em minhas mãos um pedaço de pau para afastá-los. Isso causou grande espanto entre seus ouvintes, e um deles pergunta, Como você vai usar o pau, se não tem  consciência? Resposta: Se não tenho consciência, então por que vou me importar com o que acontece comigo quando morto? Diógenes criticava o excesso de honrarias após a morte.

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Vivendo como um mendigo, Diógenes denunciou a corrupção, essa hidra de muitos tentáculos que grassa por toda parte. E inventou também a globalização. Num tempo em que as cidades gregas viviam se digladiando, ele se declarava um cosmopolita, um cidadão do mundo, ao invés de pertencer a um só lugar. Nada mais atual nesses tensos tempos de migrações forçadas que estão alterando as bases das relações humanas e políticas. Amai-vos uns aos outros, pregou Jesus. Se a casa do vizinho pegou fogo, abra suas portas para ele.

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