Quem não der não recebe

Embora considerado santo, Papai Noel não é uma figura muito católica. Ou democrática

Embora considerado santo, Papai Noel não é uma figura muito católica. Ou democrática. Infelizmente temos visto muitas injustiças na distribuição dos chamados presentes do já imprescindível Amigo X, sejam ocultos ou determinados. Como sói acontecer, a ideia foi boa mas tende a não funcionar na prática. Mesmo porque os presentes do simpático velhinho andam bem desatualizados. Quem quer carrinhos e bonecas de presente?  Pergunte, e dez entre dez pirralhos pedirão algo eletrônico, com luzinhas piscando e movido a pilha ou atado a um carregador.

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Para nosso Amigo Oculto desse natal foi decretada uma quota mínima de 30,00. Incluir o mínimo foi redundância, porque todos sabem que ninguém vai pagar acima de 29,99. Mas mesmo valores rígidos tendem a escorregar para o imprevisível, e as variantes são infinitas. Uma écharpe comprada no WalMart não terá o status de uma écharpe adquirida na Bloomingdales, mesmo que custem ambas 30,00. E como não fica bem exigir recibos de compras na entrada, temos que confiar na honestidade intrínseca do ser humano, e todos os presentes terão o preço estipulado. Certo?

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Encontro na Ross uma bolsa da Guess por 15,00, e a dúvida me assalta. Compro um pacote de meias por 30,00 e estarei cumprindo o contrato não escrito, ou dou a bolsa que em outra loja vale 100,00? Qual você gostaria de ganhar? Sorte minha ter achado a pechincha, economizando 50%. Mas se quem adquirir minha bolsa mudar de ideia e quiser trocar por outra mercadoria, vai descobrir que foi enganada. Trato é trato, dirá. Terá direito a reembolso dos 15,00 dólares faltantes?  Caso me leve aos tribunais negarei tudo, e em minha defesa alegarei que paguei 30, a loja é que está sendo desonesta.

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Pela paz nas celebrações natalinas, é imperioso que todos respeitem as quotas estipuladas, porém mais vale o status do presente e não o valor na etiqueta, meros algarismos digitados de acordo com as variações do mercado - vende bem, cobra mais, ou vice-versa. As empresas não cumprem o que prometem e os preços oscilam feito chama de vela, e temos que ficar na porta das lojas esperando a mercadoria desejada se enquadrar no preço desejado. Nem todos praticam a honestidade de forma honesta, e como honestos vivem até serem denunciados em uma das muitas CPIs que abundam no cenário nacional.

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Outra obrigatoriedade nem sempre respeitada é a quota para a ceia. O presente do Amigo X ainda pode ser controlado: Quem não der não recebe. Mas em sendo a ceia natalina um momento de confraternização gastronômica, fica chato decretar que quem não paga não come. Porque muita gente não paga e ainda leva a tia. Espírito natalino, eu sei, mas ainda sai reclamando que a comida foi pouca. Portanto, para um Natal de paz e amor, se não pôde pagar a quota estipulada, faz um lanchinho em casa e diz que está no regime. Quanto ao vinho, sempre pode dizer que ainda não terminou o antibiótico.

Feliz Natal amigos leitores, com muita paz e muitos presentes.

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