Tem alguma coisa no ar

Simplificando a vida e a arte, coisa é tudo e não é nada, definido ou indefinido, abstrato ou incongruente

Após intensas pesquisas, encontro afinal a nova palavra coringa do velho português: coisa. Simplificando a vida e a arte, coisa é tudo e não é nada, definido ou indefinido, abstrato ou incongruente. Citado a todo momento e em qualquer lugar, pode ser próprio ou dar cobertura aos impróprios. Lembra aquelas coisas que a gente fazia...Puxa, tinha cada coisa! Sabe aquela coisinha que andou se engraçando pro meu namorado? Tem coisas que só acontecem comigo. Como é o nome daquela coisa que a gente punha na coisa pra tirar a coisa? Ah, o fogão, que com tanta coisa no fogo, tava sempre cheio de coisas. E todo mundo entende, embora coisa não signifique coisíssima nenhuma.

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A coisa no dicionário: Tudo que existe ou pode ter existência, real ou abstrata. Novo substantivo: coisismo, a habilidade de substituir qualquer palavra incerta, esquecida, imprópria ou não sabida por coisa. Como você consegue falar tanta coisa sem saber coisa nenhuma?  Vou te contar uma coisa, mas é segredo de estado, num espalha: com tanta coisa acontecendo, tem ainda algum político dormindo bem? A coisa toda vazou e deu no que deu. Falei umas coisinhas e a coisa embolou de vez.  Aqui ninguém fala coisa com coisa, porque só quem sabe das coisas sou eu. Coisa estranha me aconteceu, mas chorar coisas passadas é coisa de masoquista, e depois da coisa espalhada não tem mais coisa que dê jeito. Que coisa, né?

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Mário Quintana: “Se me esqueceres, só uma coisa, esquece-me bem devagarinho”. Tá bom, mas tem coisas que a gente não esquece e mesmo assim perdoa, pois uma coisa puxa outra. Tem coisas que até Deus duvida. O sujeito tá bem informado, sabe das coisas. A coisa é o seguinte: nem tudo são flores mas as coisas vão se ajeitando devagar, pondo cada coisa em seu lugar. Coisa à toa, liga não, é coisa de gente desocupada. Tenho tanta coisa pra contar, mas antes vai buscar suas coisas. Pus umas coisinhas no papel, acabou virando essa coluna.

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Luísa Galvão Lessa: “A palavra coisa é um bombril do idioma. Tem mil e uma utilidades”.  A coisa, livro do Stephen King. Se tem alguma coisa a dizer fala agora, porque a coisa vai esquentar, e se a coisa fica russa não tem mais coisa com coisa. Coisa simples, mas uma coisa de cada vez, porque uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Na música, porém, a coisa é mais em cima: a Máfia pode ser Cosa Nostra, mas o Jorge Ben é Coisa nostra.  Olha que coisa mais linda, disse Vinicius. Coisa bonita, essa do Roberto. Caetano disse que as coisas têm peso.  

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Coisa de momento. Coisa de amigo: Chitãozinho e Xororó. Coisa de cinema: Claudinho e Buchecha.  A palavra não é a coisa: Cal Ribeiro,  Só falou de coisas: Luis Lessa. Certas coisas não se revelam, mas pergunto, qual a coisa que você mais gosta? Na literatura Stephen King ganha com mais coisas: As coisas que eles deixaram para trás, Coisas estranhas, Coisas necessárias.  “A coisa embaixo da minha cama que quer agarrar meu tornozelo não é real. Eu sei disso, e sei também que se eu tiver cuidado e mantiver meu pés embaixo da colcha, a coisa não vai nunca agarrar meu tornozelo. Lucas Lucco: e coisa e tal.

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