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‘Quero voltar a trabalhar com dignidade e respeito’

Funcionário denuncia agressão por chefe de unidade de saúde em Colatina 

Um caso de “agressão física e constrangimento moral” dentro do ambiente de trabalho em Colatina, noroeste do Espírito Santo, foi denunciado pelo auxiliar administrativo Athos Faroni, que relata ter sofrido o abuso na Unidade de Saúde da Família (USF) Vila Real, nessa quinta-feira (5). Ele afirma que foi agredido três vezes na cabeça pela responsável pelo setor enquanto cumpria funções na recepção, após um erro na comunicação durante o atendimento de pacientes. “Naquele momento, eu fiquei estarrecido, nunca ninguém havia feito isso comigo nos locais onde já trabalhei. Entrei recentemente, então, erros vão acontecer, mas chegar a ponto de socar a cabeça, isso é desumano”, criticou. 

Acervo Pessoal

Segundo o relato registrado em Boletim de Ocorrência (BO), Athos foi designado, temporariamente, para auxiliar na recepção do posto de saúde, uma vez que a recepcionista titular estava afastada por atestado médico. Durante o expediente, a responsável pelo setor, identificada no BO como Nalvay Lima da Silva Melo, teria solicitado que ele entrasse em contato com a família de um paciente idoso, que apresentava grave quadro de saúde e precisava de atendimento hospitalar. 

Ao buscar o contato no sistema, o funcionário acabou ligando para uma pessoa errada, mas diz que logo corrigiu o equívoco e conseguiu estabelecer comunicação com a família do paciente. Foi nesse momento que, segundo o auxiliar administrativo, ela passou a dar “croques” em sua cabeça. “Ela bateu três vezes, com uma força que me deixou espantado. Na hora, fiquei sem reação, sem acreditar no que estava acontecendo. É um constrangimento muito grande”, desabafou. 

USF Vila Real: Foto: Acervo Pessoal

Ele destacou, ainda, o temor de represálias, dada a posição de autoridade da acusada. “Fiquei calado na hora porque preciso do emprego. Tenho contas a pagar e ajudo minha família. Mas depois que o choque passou, percebi que não poderia deixar isso impune”, afirmou.

Athos levou o caso à Ouvidoria do município e notificou a Secretaria de Saúde, buscando que providências sejam tomadas, e tem buscado apoio para ingressar com uma ação judicial contra a servidora. “Espero justiça. Quero voltar a trabalhar com dignidade e respeito como qualquer profissional merece”, ressaltou.

Para o auxiliar administrativo, o episódio é sintoma de um ambiente laboral tóxico, onde o medo de sofrer represálias e a insegurança impedem que muitos trabalhadores denunciem abusos, apesar dos efeitos graves para a saúde psicológica e na dignidade das vítimas. “Se isso aconteceu comigo, pode estar acontecendo com outras pessoas. Muitos ficam calados por medo de perder o emprego ou de represálias. Acredito que a denúncia é um passo importante para evitar novos casos”, considerou.

Em nota, a Prefeitura de Colatina, por meio da Secretaria de Saúde, limitou-se a informar que está ciente da denúncia e “apura o caso para tomar as medidas cabíveis”.

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