Inspeção sindical constata caos na Delegacia Regional de Colatina

Regional é investigada pelo MPT, tem laudo da Defesa Civil e pedido de transferência pela Polícia Civil

Caos, insalubridade, grave precariedade e ausência de condições dignas de trabalho para os policiais civis e a população que busca atendimento. É o que foi constatado na 15ª Delegacia Regional de Colatina, após inspeção realizada pelo Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol/ES).

A Regional está localizada em um imóvel em estado crítico, com paredes mofadas, rachadas e fiação exposta, com pneus servindo de foco para a dengue. O telhado, de péssimo estado, já foi condenado pela Defesa Civil em uma ação movida pelo Sindicato a pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT) pelo elevado risco de desabamento.



Além disso, relata o Sindicato, a unidade não possui um local adequado para abrigar os criminosos e não conta com pátio para guardar os veículos apreendidos, que ocupam o pequeno espaço existente na regional ou ficam estacionados nas calçadas e via pública, sujeitos a ataques de vândalos, servindo de esconderijo para potenciais criminosos. Além disso, de abrigo de ratos, baratas e com potencial risco de incêndio, haja vista que nos referidos tanques dos veículos apreendidos estão armazenados combustíveis.

A situação, contextualiza o Sindipol, não é nada diferente da encontrada em 2017. “Não é possível um policial civil continuar trabalhando desse jeito, sem as condições mínimas para desenvolver suas atividades. A situação é desumana”, declara o presidente da entidade, Jorge Emílio Leal.

Transferência

Após as denúncias e ações movidas pelo sindicato na justiça, a pedido do MPT em maio passado, e a emissão do laudo da Defesa Civil condenando o telhado, foi recomendando que a unidade seja transferida para outro imóvel.

O pedido de transferência foi aberto pela Polícia Civil, que estabeleceu, para o novo espaço, o funcionamento das seguintes delegacias: Plantão; Homicídio e Proteção à Pessoa; Narcóticos; Investigações Criminais; Atendimento à Mulher; Proteção à Criança, Adolescente e Idoso; e Infrações Penais.

O Sindipol/ES ainda informa que vai continuar acompanhando de perto essa situação e cobrando até que um novo imóvel seja encontrado e os policiais civis de Colatina tenham condições dignas de trabalho.

Cariacica

Outro processo de transferência em curso é a da Regional de Cariacica, cujo funcionamento está acontecendo temporariamente na Delegacia de Cobilândia, em Vila Velha, o que tem causado grandes transtornos à população dos dois municípios.

No final de abril, o deputado Euclério Sampaio (DC) afirmou que os transtornos durariam no máximo três meses, ou seja, até o final deste julho, prazo previsto para a conclusão do processo licitatório de aluguel de um imóvel em Jardim América, que abrigará o funcionamento da 4ª Delegacia Regional de Cariacica durante a reforma do prédio oficial. “Não podíamos esperar a conclusão da licitação para então começar a reforma, senão perderíamos o prazo da reforma”, explicou, à época, a Século Diário.

Arrombamentos

A precariedade dos imóveis é um dos aspectos do estado de agudo sucateamento da segurança pública no Espirito Santo, o que tem levado a um número alto de arrombamentos de delegacias. Segundo levantamento do Sindipol/ES, foram doze arrombamentos entre os anos de 2016, 2017 e 2018.

Em 2015, foi a Delegacia de Atendimento Especializado da Mulher (Deam) por duas vezes, a Distrital de Goiabeiras, a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e a Delegacia de Ibatiba. Em 2016, a Regional de Vila Velha (Alfa 10). Em 2017, a 2ª regional de Vila Velha e as Delegacias de Cariacica Sede, Santo Antônio e da Mulher. Em 2018, a novamente a DPCA e também a Delegacia de São Gabriel da Palha.

As delegacias não possuem segurança patrimonial, as edificações estão em situação precária e isso tudo gera a fragilidade que resulta nos arrombamentos. "Estamos armando bandidos desse jeito”, afirmou Jorge Emílio Leal.

 

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