Aliado, aliado, mandato à parte

De Hartung a Casagrande, as críticas de Majeski na Educação

O duro discurso do deputado estadual Sergio Majeski (PSDB) na sessão da Assembleia Legislativa dessa quarta-feira (28), referente a uma questão combatida por ele há muito tempo, as ilegalidades na aplicação dos 25% obrigatórios na Educação, chamou atenção por incluir nas críticas, que revelam prática inconstitucional, maquiagem no Orçamento e fraudes, a gestão passada do seu aliado, correligionário e futuro governador, Renato Casagrande. Ao apresentar números e cobrar providências para as investigações que mostram um rombo de R$ 2,3 bilhões de 2015 a 2018, que deveriam ter sido investidos na área, Majeski lembra que a medida teve início no governo passado de Hartung, foi mantida por Casagrande e, mais uma vez, no atual mandato. Com o detalhe, porém, de a resolução do Tribunal de Contas que permite a manutenção da irregularidade (autoriza a inclusão e execução de despesas com inativos nos recursos da Educação) ter sido publicada no período socialista. Líder da oposição do governo Hartung, o discurso é coerente com o que pregou o deputado durante toda a legislatura e com o que garantiu após a reeleição, de que manterá sua posição de independência na Casa. Mas, por outro lado, inevitavelmente remete às questões políticas que marcam a relação de Majeski com Casagrande. Apesar de apoiar o novo governo, não há como negar, restaram alguns arranhões.

Sem coro
Majeski, como se sabe, foi assediado pelo governador eleito para entrar no PSB e ser o candidato ao Senado da chapa (hoje, provavelmente estaria eleito), no entanto, foi obrigado a abandonar o barco por contradições na composição de alianças. Também manifestou, recentemente, interesse em disputar a presidência da Assembleia, reivindicação natural de um campeão de votos e ainda do partido do governador. A pretensão, porém, não teria encontrado coro no próprio campo socialista. 

Sem coro II
Outra movimentação que chegou a circular pelos bastidores foi o pedido para participar da escolha do secretário de Educação do Estado, o que também seria justo, afinal, é o deputado capacitado para tal. Não foi atendido e teve até quem dissesse que ele próprio tinha interesse em comandar a pasta. 

Sem coro III
O deputado é, ainda, considerado pelo mercado carta dentro do baralho da eleição à prefeitura de Vitória em 2020. Mas, de novo, não para o grupo de Casagrande. O nome apontado para tal é do deputado eleito Fabrício Gandini, o ex-supersecretário do prefeito Luciano Rezende (PPS), que tem tamanho político menor que o de Majeski. Vai entender, hein...

Novo abrigo
Não será surpresa se o prefeito de Vila Velha, Max Filho, trocar o PSDB pelo Avante. Apesar de ter ficado no ninho tucano, mesmo com ruídos internos, sua saída nunca foi descartada, pelo contrário. Questão de tempo.

Magoou
A esnobada de Jair Bolsonaro (PSL) no senador Magno Malta (PR), preterido do Ministério da Cidadania, repercute no País. Magoado, machucado, isolado num sítio e ingratidão são algumas das palavras citadas na imprensa nacional relacionadas ao sentimento do senador em relação ao  anúncio de que Osmar Terra (MDB) foi o escolhido para ocupar o cargo.

Magoou II
O principal defensor de Magno para ocupar o Ministério, pastor Silas Malafaia, foi também quem assumiu o papel de escudo dele diante do fato. E já avisou, em declaração à Folha de S. Paulo: o amigo não aceitará um posto menor, como o de conselheiro ou assessor especial da Presidência. Então complicou mesmo! A essa altura, não parece que Magno ainda cabe no primeiro escalão.

Magoou III
Malafaia disse ainda que Malta merecia mais, depois de tudo que fez por Bolsonaro, e relacionou a derrota de Magno à saída do Estado para fazer campanha para o presidenciável (há controvérsias) e agora “tomou ferro, ficou a ver navios”. Sobre Osmar, disparou: "Quem é esse cara pra Cidadania? O Magno tem expertise pra isso”.

Rebelião
Quem também ficou pé da vida com a indicação, além de Magno e o amigo Malafaia, foi a bancada evangélica da Câmara dos Deputados, que havia indicado três parlamentares e foi solenemente ignorada. Como é a segunda vez que isso acontece – o grupo queria ter indicado o ministro da Educação -, a ameaça agora é de rebelião. 

Enquanto isso...
O deputado federal Carlos Manato, candidato do PSL ao governo do Estado, está rindo à toa com o cargo de secretário especial para a Câmara dos Deputados, ligado à Casa Civil. Em entrevista a Século Diário, logo após o segundo turno, ele já havia falado do pedido do presidente eleito para que auxiliasse os parlamentares do partido na Casa. O PSL, como se sabe, saiu de apenas um para 52 deputados federais, quase todos novatos.

Futuro
Com cargo garantido em Brasília, onde também elegeu a mulher, Soraya Manato, uma das novatas do PSL, e em campo no Estado para erguer os diretórios, Manato já vai ser armando para fazer prefeitos e vereadores em 2020, e para consolidar seu próprio nome em 2022, tudo indica, novamente contra Renato Casagrande (PSB).

Foto que fala
Moradores da rua José Luiz Gabeira, no Barro Vermelho, Vitória, querem respostas da prefeitura sobre o corte de árvores antigas e frondosas feitas  em área considerada pública (calçada). A atitude do proprietário abriu um clarão na rua, conhecida por sua arborização, preservada mesmo com a chegada do comércio nos últimos anos. O caso já é de conhecimento da gestão de Luciano Rezende (PPS). E, aí?


Oi?
Olha o aviso publicado no Diário Oficial assinado pelo diretor-geral do Instituto de Obras Públicas (Iopes), Cláudio Daniel Passos Rosa. No dia 7 de dezembro, sexta-feira que vem, o expediente será de 8h ao meio-dia, em caráter excepcional. Motivo: confraternização dos servidores. Inacreditável.

‘Jamé’
O vereador de Vitória, Roberto Martins (PTB), propôs, nesta quinta-feira (29), que os colegas de plenário tenham o salário reduzido à metade, ou seja, passariam a receber R$ 4, 3 mil. A declaração foi feita durante o debate sobre a redução do número de parlamentares na Capital e teria sido apoiada por outros quatro vereadores. Qual a chance de a maioria topar?

PENSAMENTO:
“Não há conselho mais leal do que o que é dado num navio em perigo”. Leonardo da Vinci

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