Boi na linha

Em mais um de seus discursos, Capitão Assumção retoma assunto conhecido no Estado: o ''grampo''

Conhecido por sucessivos discursos polêmicos e em tom de ameaça e violência no plenário da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Capitão Assumção (PSL) mirou, na sessão desta segunda-feira (18), na Diretoria de Inteligência da Polícia Militar e no Ministério Público Estadual (MPES). “Tive o desprazer de saber que estou grampeado”, acusou. O motivo, chamado por ele de “desculpa”, seriam as recentes mensagens que circularam pelas redes sociais comunicando de uma greve da PM na última sexta-feira (15), negada pelas entidades representativas. Assumção emendou o assunto afirmando que, na última semana, dois homens numa moto circularam pelas imediações de seu condomínio para tentar descobrir onde ele mora. “Tenho maior respeito com quem quer investigar a minha vida, mas chegue de mansinho. Se vier com conversa fiada, vou atirar primeiro, só depois eu vou querer saber se é polícia, se não é, ou se é ligado a alguma entidade pública”, avisou. Referindo-se “como “vagabundo” o inquérito aberto pelo MPES contra ele para apurar a recompensa que ofereceu a quem matasse o assassino de uma jovem em Cariacica e as atuais denúncias como “trato baixo”, o deputado distribuiu mais alguns xingamentos, e finalizou: “tome cuidado, não chegue perto da minha família, vai tomar muito tiro. Eu sei lidar com bandido! Não estou preocupado com mandato, não, vocês é que devem ficar com a vida de vocês”. Assumção não citou nomes, mas a peteca cai no colo do secretário de Estado de Segurança, Roberto Sá, e dos comandantes da PMES – agora sob batuta do coronel Márcio Eugênio Sartório – e do MPES, Eder Pontes.

‘Grampolândia”
Salvo as devidas diferenças, não tem jeito. É só falar em “grampo”, que vêm à cabeça o “guardião” e o período do ex-secretário Rodney Miranda na pasta de Segurança do governo Paulo Hartung. Haja história e perguntas até hoje sem respostas.

Quem não conhece...
Agora abrigado no mesmo cargo em Goiás - gestão da Ronaldo Caiado (DEM) - depois da derrota à Câmara dos Deputados em 2018, Rodney parece ter conseguido emplacar, por lá, a imagem do “Rambo Capixaba”. Jornais locais já falam que ele pretende ficar no estado. Há alguns meses, Rodney se colocou novamente candidato a prefeito em Vila Velha em 2020, mas depois o projeto esfriou.

Método fracassado
Aliás, até hoje me pergunto porque o secretário do Estado, Roberto Sá, foi com uma comitiva visitar Rodney e conhecer seu método, em outubro passado. Por aqui, tanto na secretaria como prefeitura, suas gestões na área de segurança foram pífias. Já ações midiáticas tinham de sobra.

Vitalícia
E a escolta de Rodney em Goiás, como ficou? Por aqui, tinha à sua disposição nada menos do que 14 policiais, desde 2003, ainda justificada no crime do juiz Alexandre Martins de Castro Filho.

Pressão de todo lado
De volta ao comando da PMES...a saída do coronel Leonardo Barreto do cargo ocorre em meio a tensões internas, intensificadas pela frente unificada que reúne militares, bombeiros e civis. Eles cobram respostas do governo sobre reajuste e valorização. O Capitão Assumção, por sua vez, quase toda semana denunciava abusos e perseguição à tropa. 

Pressão de todo lado II
Mas, para tentar afastar qualquer especulação, Renato Casagrande, na posse ao coronel Sartório nesta segunda, além de alegar que a saída de Barreto vinha sido discutida há uma semana pelo desejo de cuidar da saúde, fez questão de exaltar a gestão do ex-comandante, sendo seguido por Sartório e Roberto Sá. Palavras do governador: “ele prestou um serviço extraordinário”.

Mistério
Sobre Eder Pontes, o procurador-geral de Justiça não vai, mesmo, fornecer informações precisas sobre o inquérito contra Assumção? Desde o início, um silêncio ensurdecedor do MPES...

‘Esticada’
A não ser por um discurso ou outro, a Assembleia Legislativa, definitivamente, não retornou do feriadão. Sessão desta segunda-feira foi morta, morta. 

Toma lá...
Os deputados-candidatos de Vila Velha, como dito na coluna passada, continuam a se cutucar, explorando o caos da chuva. Desta vez, porém, as entrelinhas ficaram restritas a dois deles: Dr. Hércules (MDB) e Hudson Leal (Republicanos). O primeiro só falta fazer uma prestação de contas de suas ações na área, o segundo quer mostrar que entende da origem do problema. Choque interno.

Vitrine nacional
Abrigado na cadeira “número dois” do Ministério da Cidadania após não conquistar reeleição à Câmara dos Deputados, Lelo Coimbra assumiu o posto principal nesta semana devido à viagem internacional do aliado Osmar Terra. Nesta segunda-feira, almoçou com o presidente Jair Bolsonaro e a seleção brasileira de futebol sub-17, campeã mundial nesse domingo (17) contra o México. 

PENSAMENTO:
“O interesse forma as amizades, o interesse dissolve-as”. Marquês de Maricá

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