O equilibrista

Casagrande evita o tiroteio do segundo turno presidencial e sobe no muro

A repercussão nacional da reunião do PSB que definiu apoio a Fernando Haddad (PT) na disputa presidencial, realizada nesta terça-feira (9), em Brasília, não inclui o Espírito Santo como um caso de exceção para a postura de neutralidade, mas o governador eleito, Renato Casagrande, já publicou vídeo em suas redes sociais comunicando que adotará uma posição que considera de “equilíbrio e responsabilidade”. Ou seja, nem lá, nem cá! Ele alega que faz isso em respeito às pessoas que votaram nele e “em defesa dos interesses do Estado”, um discurso pensado com antecedência, já que colar nele a imagem do projeto petista foi a estratégia dos adversários para tirar seus votos na reta final das eleições, principalmente após o presidente nacional da legenda, Carlos Siqueira, ter antecipado a tendência de subir no palanque de Haddad. Embora a história partidária do PSB não tenha qualquer relação com as propostas do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), Casagrande tenta evitar, assim, subir a escadaria do Palácio Anchieta com o pé esquerdo e rejeitado pela maioria do eleitorado capixaba, que desde o início abraçou Bolsonaro. O índice só foi crescendo, até chegar a 54,76% dos votos no Estado, muito na frente de Haddad, com 24,20%. Esses mesmos eleitores elegeram Casagrande ao governo. Em tempos de polarização extrema, o muro nunca foi tão seguro!

Permissão
A decisão anunciada pelo PSB só livra, oficialmente, as executivas do Distrito Federal e São Paulo. É que, nesses estados, os candidatos do PSB, Rodrigo Rollember e Márcio França, respectivamente, estão no segundo turno. Adotarão, portanto, a neutralidade, para costurarem apoios.

Zero dúvida
Do mesmo lado, com Haddad, está o Psol, o primeiro a declarar o apoio em nota. E não teria, mesmo, como pousar em outro terreno.

Campo oposto
Já o PTB anunciou que fará campanha para Bolsonaro. O partido estava com Geraldo Alckmin (PSDB) antes e passou por uma saia justa por aqui, quando o candidato ao governo, Aridelmo Teixeira, anunciou por conta própria apoio ao presidenciável do PSL ainda no primeiro turno, além de declarar amor sincero ao candidato do Novo, Amôedo.

Tem mais...
O Novo, aliás, avisa que ficará neutro (mas só criticou o PT), assim como a Rede e o PP. O PSDB decidiu liberar seus filiados nesta segunda fase da disputa.

Consolo
Derrotado à reeleição de virada, em um resultado que ficará marcado no Estado, o senador Magno Malta (PR) teve, pelo menos, dois consolos: conseguiu colocar a mulher, Lauriete (PSL), na Câmara dos Deputados, e o delegado Lorenzo Pazzolini (PRP) na Assembleia. Os dois circularam pelo Estado no reboque do senador, como seus candidatos.

Consolo II
O novato Pazzolini foi apadrinhado por Magno e atuou com ele em ações da CPI dos Maus-Tratos. Costumava usar, em sua campanha, os mesmos uniformes de Magno em referência às crianças. A fórmula que sempre deu certo para Magno (menos agora), caiu como uma luva para Pazzolini. Foi o segundo mais votado, com 43,2 mil votos, próximo do campeão e já com um mandato no currículo, Sergio Majeski (PSDB), que somou 47 mil.

Consolo III
Já Lauriete não teve esse desempenho todo. Conquistou 51,9 mil votos nas urnas e só entrou porque foi “puxada” por Amaro Neto (PRB), que bateu a marca de 181 mil, praticamente 100 mil a mais que o segundo colocado, que foi a surpresa da eleição à Câmara, Felipe Rigone (PSB), cego e estreante em eleição. Uma ótima surpresa!

Perde o amigo, mas...
A propósito, as redes sociais não perdoam. Circula pelo WhatsApp um “Comunicado importante”: “A Cesan informa que o abastecimento de água será paralisado hoje, 8 de outubro de 2018, em todo o território capixaba. Motivo: Magno Malta [PR] e Ricardo Ferraço [PSDB] entraram pelo cano. Sem previsão para voltar ao abastecimento normal”.

Da terra
Voltando no Majeski, sua terra natal, Santa Maria de Jetibá (região serrana), elegeu outro deputado, o atual vereador Adilson Espindula (PTB). Ele entrou na Assembleia com poucos votos, 11,6 mil, sendo 8,9 só em Santa Maria. Enquanto Majeski, dos 47 mil, só obteve 3,6 mil na cidade.

PENSAMENTO:
“Neutro é quem já se decidiu pelo mais forte”. Max Weber

1 Comentários
  • Irineu , quarta, 10 de outubro de 2018

    Equilíbrio ou oportunismo de Casa Grande. O Espirito Santo sempre foi um unidade federativa de segunda categoria por eleger políticos que tem medo do embate. Sempre ficam a reboque nas oportunidades de serem protagonista. Preferem o conforto da omissão a atitude responsável do politico honesto que sabe escolher e escolhe. O respeito do governador, espera-se, é informe a população quem são os beneficiários da renuncia fiscal bilionária, quanto representa a sonegação, tambem bilionária ou que defenda que a população não seja transportada de "pau de arara" diariamente. Defino como "pau de arara" são quase totalidade do que chamam ônibus do sistema transcol que não passam de caminhão com carroceria de ônibus.

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