Vale a pena ir ao navio-livraria em Vitória?

Coluna CulturArte: visitando o navio Logos Hope, Festival Canela Verde, cachoeirenses na parede

A vinda a Vitória do Logos Hope, que chegou com a pompa de ser a maior livraria flutuante do mundo, causou curiosidade nos capixabas. Foi aberto à visitação quinta-feira e fica até o dia 20. Logo apareceram alguns "detratores", falando mal do navio, que faz parte de uma missão evangélica comandada por uma ONG. Este jornalista foi ver de perto e visitou a embarcação.

Livros infantis e cristãos

Vamos lá. Diziam que a livraria tinha a maioria das obras em inglês e formada por livros evangélicos. Verdade? Praticamente. Boa parte dos livros é inglês mesmo, talvez metade. Ocupam quase todas prateleiras laterais, enquanto as obras em português estão nas estantes centrais, com maior destaque. Há uma seção também de livros em espanhol. A  maioria dos livros é cristã ou infantil (em alguns casos, os dois). Não sei avaliar se as obras eram boas pois não conheço muito desses segmentos. Literatura? Não vi nada, nem livros de ciências sociais, os gêneros que mais me interessam. Os preços pareceram razoáveis, nem muito acima nem muito abaixo do mercado. Me pareceu muito pior do que aquelas livrarias de aeroporto, que já acho péssimas. Não consegui achar nada que me interessasse. Foto: Vitor Taveira

Então não vale a pena?

Depende. Se o interesse é livros, depende do seu gosto. Eu achei péssimo e meus amigos também odiariam. Sem falar que pagar R$ 5 para entrar numa livraria é algo que não faria nem se fosse uma boa livraria. Fora que em alguns horários há chance de encontrar filas enormes, como havia nessa sexta-feira à tarde, com visitas de escolas, e pode acontecer também nos fins de semana. 

Mas e o navio?

Para passear, especialmente com crianças, pode ser uma opção divertida. Porém, os visitantes não têm acesso ao convés do navio, apenas podem entrar num circuito restrito que inclui a livraria, que nem é tão grande, e uma lanchonete em que o café custa R$ 6 e o cachorro-quente ou refrigerante R$ 8 cada. Ou seja, se for pra comer, não vale. Algo legal é que há voluntários de vários países ali, alguns disponíveis para conversar e até sugerindo praticar espanhol ou aprender um pouquinho de polonês. Pros mais bolados, calma. Aparentemente não vai ter ninguém pregando a palavra de Deus, cantando no seu ouvido ou tentando te catequizar à força.

Centro cultural prepara festival de aniversário

O Centro Cultural Eliziário Rangel completa 3 anos de existência no mês que vem, tendo se tornado referência de espaço independente na Serra e no Espírito Santo. Por conta disso, prepara um festival de comemoração que deve reunir cerca de 40 atrações, com programação simultânea nos três andares do prédio, de 8h às 21h. Para quem ainda não conhece, uma boa oportunidade para visitar. Será no dia 16 de novembro em São Diogo, na Serra. Save the date. Foto: Divulgação/CCER

Festival Canela Verde

Outro evento em novembro é o Festival Canela Verde 360º, de 7 a 10 de novembro no Parque da Prainha, em Vila Velha. Haverá 12 opções gastronômicas, 7 cervejarias artesanais e 8 atrações musicais, que se apresentam num palco 360º, daí parte do nome do evento. Entre os artistas já confirmados estão Like a Boss, Samba Soul, Rodrigo Balla, Duets e Sheep e Parafina. Artesanato local também estará presente, assim como banda de congo.

Mar da Música abre inscrições

Artistas residentes em Vitória podem se inscrever para o projeto Mar da Música, que selecionará 32 propostas musicais individuais ou em dupla para se apresentar entre os meses de janeiro e fevereiro de 2020 nas praias da capital capixabas. A iniciativa é da Secretaria Municipal de Cultura (Semc), que premiará cada proposta selecionada com R$ 2 mil. Mais informações no edital do projeto. As inscrições vão até 25 de novembro na plataforma Prosas.

Cachoeirenses na parede

Em Cachoeiro de Itapemirim, quatro artistas selecionados pela Secretaria Municipal de Cultura estão pintando um mural com total de 52 metros de extensão por seis metros de altura, no qual vão figurar personalidades marcantes do município. Figuras reconhecidas nacional e internacionalmente como Roberto Carlos, Sérgio Sampaio, Luz Del Fuego, Rubem Braga, Carlos Imperial e Jece Valadão estarão pintados no muro em frente ao Museu Ferroviário Domingos Leite junto a mestres da cultural popular como Maria Laurinda e Dona Isolina e até personagens populares como Neném Doido. Será o maior painel de arte a céu aberto da cidade. Foto: Sesc/PMCI

Filme capixaba em festivais internacionais

O curta-metragem A Profundidade da Areia, de Hugo Reis, fez sucesso no  26° Festival de Cinema de Vitória, quando foi lançado e levou o prêmio de Melhor Filme na Mostra Corsária, que reúne obras de cinema com linguagem experimental. Depois de estrear em casa, já prepara os próximos passos. Participa da Competição Nacional do XV Panorama Internacional Coisa de Cinema entre fim de outubro e início de novembro, mesma semana em que estará no Festival Curta Cinema 2019 - Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro. Veja o teaser. Foto: Divulgação

Cinema nas escolas

Agentes cineclubistas capixabas participaram de sessão da Comissão de Turismo e Cultura da Câmara de Vitória. Na pauta, a presença do cinema na escola como ferramenta pedagógica. A Organização Capixaba de Cineclubes (Occa) propõe a regulamentação e aplicação no município e no Estado da Lei Federal 13.006 sancionada em 2014, que prevê exibições obrigatórias de filmes nacionais como componente curricular. A Occa vê uma oportunidade para circulação da rica e crescente produção audiovisual capixaba, que ainda encontra poucos espaços de exibição. Foto: Divulgação/Occa

Biblioteca da Fames recebe doações

Lembrando do Dia Nacional do Livro, a Biblioteca da Faculdade de Música do Espírito Santo (Fames) realiza até 29 de outubro uma campanha de arrecadação de obras literárias. Interessam livros em bom estado de conservação relacionados com música, obras de ficção e não ficção, dramaturgia, romance, biografias, idiomas estrangeiros, literatura infanto-juvenil e gibis. A entrega deve ser feita diretamente na biblioteca, no terceiro andar do prédio da instituição.

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1 Comentários
  • DAVID PINHEIRO SOARES , segunda, 14 de outubro de 2019

    Dá pra sentir um certo preconceito por se tratar de uma livraria flutuante com orientação cristã. Esqueceram de mencionar o trabalho social que a tripulação do navio faz em parceria com voluntários do lugar, nas cidades e portos onde atracam, como está acontecendo na grande Vitória. Este trabalho por si já justificaria a cobrança dos 5 reais, além da experiência de adentrar no navio.

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